quinta-feira, 15 de março de 2007

Lombrigueira, Formigueira

Nome científico: Chenopodium ambrosioides

O nome científico Chenopodium faz alusão à forma das folhas da maior parte das plantas deste género: cheno significa ganso e podium um pé pequeno. Ambrosioides é referente a Ambrósia, o néctar de que se alimentariam os deuses na Mitologia.
Na Madeira chamamos-lhe lombrigueira ou formigueira, este último termo talvez tente descrever o intenso cheiro desta planta quando se esfrega uma folha entre os dedos. Nos Açores é Usai-dela, um nome também muito sugestivo. Noutras partes do nosso país, é conhecida por Erva-enrola-peixe ou Erva-de-santa-maria.
Origem: América Central e do Sul

Descrição: Trata-se de uma erva alta, até 1 m, com muitos ramos por vezes avermelhados cobertos de folhas pequenas com dentes. As flores são minúsculas e dispõem-se em grande número em pequenas espigas ao longo da parte superior dos ramos. Produz centenas de sementes pretas, brilhantes, que nascem facilmente e podem levar a planta a espalhar-se mesmo por onde não é desejada.

Utilização: Esta planta foi referida como vermífuga, estomática, emenagogo, e calmante sobretudo em crises histéricas. O sumo da planta foi mencionado como tendo propriedades de cicatrização de chagas (pesquisa bibliografica).
Na freguesia da Ilha - Santana num trabalho recente, foi novamente apontado o chá de 3 ou 5 folhas frescas ou secas para as lombrigas, por vezes era adicionada hortelã pimenta (Mentha piperita).

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Balada das Levadas

Águas mansas das levadas
não sois como as das ribeiras,
que em vindo o inverno inundam
casas, vinhedos e leiras
Na santa paz da montanha,
só se sente o seu cantar,
sempre igual e sempre novo,
num eterno caminhar.
Essa voz suave encerra
enigma doce e profundo...
- Cantais promessas do céu
ou chorais males do mundo?
À vossa beira se espelham
hortências, musgos e flores:
- velhos loureiros murmuram
loucas histórias de amores
As urzes esvaneceram
e os carvalhos já dobraram
ao peso de fartos liquenes
... e as águas nunca pararam.
Levadas da minha aldeia
galgando de monte em monte,
enchei de seiva esses vales,
cantai nas pedras da fonte.
Solitário viandante
que ides em longa canseira,
esta levada cantante
é uma fiel companheira.
Tudo seria mais triste
na quietude da serra,
se a vossa voz não se ouvisse
como a própria voz da terra.
As aves já aprenderam
o vosso lindo cantar;
- andam ensinando às flores
como se deve falar.
A serra já se não lembra
das gerações que passaram,
a vida vai e renova-se
... e as águas nunca pararam.

Alberto Figueira Gomes

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

O começo...

Esperemos que este blog seja um local de encontro de pessoas que, tenham em comum, o gosto pela botânica e prazer na troca de ideias e/ou saberes...