terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sabugueiro

Nome científico: Sambucus lanceolata
Origem: Espécie endémica da Madeira
Descrição: Árvore pequena ou arbusto, glabro, até 7 metros de altura; o tronco e ramos são branco-acinzentados. As folhas são compostas, com folíolos oblongos a oblongos-lanceolados, serrados. A inflorescência em corimbo com flores cremes ou brancas; os seus frutos são globulosos cinzentos-amarelados ou negros.
Utilizações: A infusão das flores foi apontada como diurética, emoliente, sudorífera, e com fim de "lavar e curar chagas"; para garganta irritada e dores de dentes utilizavam os madeirenses, segundo informações bibliográficas, a mesma infusão sob a forma de gargarejos; de igual modo, para contusões, feridas e úlceras foi mencionada uma cataplasma de folhas frescas. Na freguesia da Ilha - Santana, num trabalho recentemente feito, foi apontado por vários informantes, o chá de folhas frescas para banhos nas pernas e pés inchados. De forma a atenuar as dores menstruais, referiram a ingestão dum cálice de infusão em aguardente com os frutos da planta.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Inhame de lagartixa

É uma pequena planta com um rizoma tuberoso (um pequeno inhame) que pode atingir o tamanho de uma noz.

Pertence à família das Crassulácias. As folhas são verdes ou avermelhadas, peltadas, arredondadas e côncavas. As margens formam um recorte em ondinhas com um umbigo no meio.

Na Primavera lança uma haste ao longo da qual nascem pequenas flores esverdeadas em forma de tubo, onde se podem distinguir 5 sépalas de 1,5 a 5 mm, e uma corola em forma de campainha com cinco pétalas de cerca de um centímetro.

Muito comum em toda a ilha da Madeira, podemos encontrá-la entre as pedras dos muros e em qualquer parede vertical, de rocha ou de terra. Também aparece nos montes mais altos do Porto Santo, mas muito raramente, assim como na Deserta Grande.

As folhas jovens podem ser consumidas cruas em salada ou cozidas na sopa; do seu suco costumava fazer-se um remédio para a epilepsia mas a ciência não encontrou nenhuma substância que pudesse explicar esta crença. Por cá, além disso, as folhas pisadas eram aplicadas a chagas sob a forma de cataplasma.

Em Portugal chamam-lhe bacelos, conchelos, umbigo-de-vénus, orelhas de monge, fonógrafo, chapéus-dos-telhados, chapéus de parede. Na Europa alguns destes nomes traduzidos, e ainda outros que referem a semelhança das folhas a moedas ou ao umbigo (navelwort, pennywort), mas os madeirenses dão-lhe talvez o nome mais original: inhame de lagartixa.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Etnobotânica

A Etnobotânica é uma área da ciência recente e multidisciplinar, pois abarca conhecimentos da botânica, ecologia, medicina, etnologia, história, economia...
Segundo Martin (Ethnobotany. A Methods Manual, 2004), "Ethnobotany refers to the study of the interactions between people and plants."
Aqui em Portugal, pelo que sei, os primeiros trabalhos editados são de 2000, no entanto, em outros países, estes já vão sendo feitos há largos anos.
O vídeo seguinte encontrei-o, por incrível que pareça, no Youtube; é uma palestra de um etnobotânico que tem vindo a trabalhar na Amazónia desde a década de 80, e foi promovida, para grande supresa minha, pela Google Earth. Demonstra (para quem estiver interessado no assunto e tiver tempo para ver) o trabalho, a paciência e dedicação que terá de ter um etnobotânico.

É caso para dizer : "Quando for grande, quero ser assim" :)

quinta-feira, 15 de março de 2007

Lombrigueira, Formigueira

Nome científico: Chenopodium ambrosioides

O nome científico Chenopodium faz alusão à forma das folhas da maior parte das plantas deste género: cheno significa ganso e podium um pé pequeno. Ambrosioides é referente a Ambrósia, o néctar de que se alimentariam os deuses na Mitologia.
Na Madeira chamamos-lhe lombrigueira ou formigueira, este último termo talvez tente descrever o intenso cheiro desta planta quando se esfrega uma folha entre os dedos. Nos Açores é Usai-dela, um nome também muito sugestivo. Noutras partes do nosso país, é conhecida por Erva-enrola-peixe ou Erva-de-santa-maria.
Origem: América Central e do Sul

Descrição: Trata-se de uma erva alta, até 1 m, com muitos ramos por vezes avermelhados cobertos de folhas pequenas com dentes. As flores são minúsculas e dispõem-se em grande número em pequenas espigas ao longo da parte superior dos ramos. Produz centenas de sementes pretas, brilhantes, que nascem facilmente e podem levar a planta a espalhar-se mesmo por onde não é desejada.

Utilização: Esta planta foi referida como vermífuga, estomática, emenagogo, e calmante sobretudo em crises histéricas. O sumo da planta foi mencionado como tendo propriedades de cicatrização de chagas (pesquisa bibliografica).
Na freguesia da Ilha - Santana num trabalho recente, foi novamente apontado o chá de 3 ou 5 folhas frescas ou secas para as lombrigas, por vezes era adicionada hortelã pimenta (Mentha piperita).

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Balada das Levadas

Águas mansas das levadas
não sois como as das ribeiras,
que em vindo o inverno inundam
casas, vinhedos e leiras
Na santa paz da montanha,
só se sente o seu cantar,
sempre igual e sempre novo,
num eterno caminhar.
Essa voz suave encerra
enigma doce e profundo...
- Cantais promessas do céu
ou chorais males do mundo?
À vossa beira se espelham
hortências, musgos e flores:
- velhos loureiros murmuram
loucas histórias de amores
As urzes esvaneceram
e os carvalhos já dobraram
ao peso de fartos liquenes
... e as águas nunca pararam.
Levadas da minha aldeia
galgando de monte em monte,
enchei de seiva esses vales,
cantai nas pedras da fonte.
Solitário viandante
que ides em longa canseira,
esta levada cantante
é uma fiel companheira.
Tudo seria mais triste
na quietude da serra,
se a vossa voz não se ouvisse
como a própria voz da terra.
As aves já aprenderam
o vosso lindo cantar;
- andam ensinando às flores
como se deve falar.
A serra já se não lembra
das gerações que passaram,
a vida vai e renova-se
... e as águas nunca pararam.

Alberto Figueira Gomes