
A planta que os madeirenses conhecem por canela branca é uma planta suculenta, com talos erguidos de cerca de 10mm na base, tornando-se mais finos na extremidade. Estes talos têm, a espaços, nós de onde saem quatro a cinco folhas mais ou menos carnudas. O espaço entre os nós tende a ser mais comprido junto ao solo e a planta é toda verde: caule, folhas e inflorescência.
Trata-se da Peperomia galioides Kunth. Galioides significa semelhante a Galium, um género onde se insere uma planta que todos conhecem – o Galium aparine ou raspa-saia também conhecido como amor-de-hortelão.
Na Madeira é por vezes referida como anti-diarreica, amenizadora de dores menstruais ou fazendo parte de uma infusão com aguardente e muitas ervas para amenizar o pós-parto. O chá não tem cor mas é muito saboroso e aromático.
É oriunda da América Central e do Sul e o seu habitat são as terras altas em altitudes que podem chegar aos 3000m. Ocorre tanto no solo como em fendas de rochas. A sua suculência parece ser uma adaptação à secura fria.
No seu local de origem é usada para fins medicinais essencialmente como cicatrizante de feridas tanto externas (em compressas de folhas esmagadas) como internas (em úlceras gástricas).
Estudos farmacológicos descobriram nesta planta substâncias com efeitos cicatrizantes e anti-bacterianos.
Nunca a vimos produzir semente aqui na Madeira, mas propaga-se bem por estacaria. As estacas têm de ter pelo menos dois nós e retiram-se as folhas do nó que vai ser enterrado.
Esta planta não aparece descrita nem na Flora da Madeira nem nas diversas listas de plantas da Madeira organizadas desde o século XVIII. Não há por isso indicação de quando poderá ter sido introduzida.



