segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Marroio

Marrubium vulgare L.

Planta pouco comum na Madeira mas que pode ser encontrada em quintais, cultivada, ou no estado espontâneo na Ponta de São Lourenço, no Porto Santo ou nas Desertas. É nativa da Europa.

Identificá-la é fácil recorrendo a imagens e sabendo que se trata de uma planta perene que cresce até cerca de 60cm, lança uns raminhos de secção quadrada com tendência a descansar sobre a terra, esbranquiçados, com um “feltro” branco. Quanto mais ao Sol mais esbranquiçada se torna. As folhas parecem enrugadinhas, espessas, podem crescer até 3cm e dispõem-se ao longo do raminho em frente uma da outra, alternando de posição (a primeira norte-sul, a segunda este-oeste). Lá para Maio, na axila de cada par de folhas aparece um leque de florinhas brancas inseridas num cálice com cerca de dez dentes. Ao secarem, estes dentes tornam-se rijos e agarram-se à roupa ou ao pêlo de quem lhes passar por perto.

Prefere solos pobres, bem drenados e calcários, pelo que, num quintal típico madeirense, pode ser difícil mantê-lo sem “melar”. Também não é fácil a reprodução: as sementes nascem mal e as estacas tardam a enraizar. O melhor método parece ser a mergulhia: cobrir com terra ou turfa dois ou mais raminhos, manter aí a terra húmida e esperar pelas raízes.

Por cá não temos encontrado quem dele se lembre, mas o Visconde do Porto da Cruz em 1951 cita o marroio como tónico, emenagogo, útil em bronquite e em males do fígado.

À semelhança dos que cá se fazem com o funcho, em algumas regiões do nosso país fazem-se rebuçados de marroio, com efeito expectorante.

Pimpinela

Mas não a pepinela mais conhecida por chuchu por terras continentais. Esta é uma Sanguisorba, talvez a officinalis ou talvez a minor. Deixo a escolha para os verdadeiros botânicos, por mim sou apenas aprendiz. Achei curiosa a fase feminina e depois masculina da flor.


sábado, 10 de novembro de 2007

Canela branca



A planta que os madeirenses conhecem por canela branca é uma planta suculenta, com talos erguidos de cerca de 10mm na base, tornando-se mais finos na extremidade. Estes talos têm, a espaços, nós de onde saem quatro a cinco folhas mais ou menos carnudas. O espaço entre os nós tende a ser mais comprido junto ao solo e a planta é toda verde: caule, folhas e inflorescência.

Trata-se da Peperomia galioides Kunth. Galioides significa semelhante a Galium, um género onde se insere uma planta que todos conhecem – o Galium aparine ou raspa-saia também conhecido como amor-de-hortelão.

Na Madeira é por vezes referida como anti-diarreica, amenizadora de dores menstruais ou fazendo parte de uma infusão com aguardente e muitas ervas para amenizar o pós-parto. O chá não tem cor mas é muito saboroso e aromático.

É oriunda da América Central e do Sul e o seu habitat são as terras altas em altitudes que podem chegar aos 3000m. Ocorre tanto no solo como em fendas de rochas. A sua suculência parece ser uma adaptação à secura fria.

No seu local de origem é usada para fins medicinais essencialmente como cicatrizante de feridas tanto externas (em compressas de folhas esmagadas) como internas (em úlceras gástricas).

Estudos farmacológicos descobriram nesta planta substâncias com efeitos cicatrizantes e anti-bacterianos.

Nunca a vimos produzir semente aqui na Madeira, mas propaga-se bem por estacaria. As estacas têm de ter pelo menos dois nós e retiram-se as folhas do nó que vai ser enterrado.

Esta planta não aparece descrita nem na Flora da Madeira nem nas diversas listas de plantas da Madeira organizadas desde o século XVIII. Não há por isso indicação de quando poderá ter sido introduzida.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Sabugueiro

Nome científico: Sambucus lanceolata
Origem: Espécie endémica da Madeira
Descrição: Árvore pequena ou arbusto, glabro, até 7 metros de altura; o tronco e ramos são branco-acinzentados. As folhas são compostas, com folíolos oblongos a oblongos-lanceolados, serrados. A inflorescência em corimbo com flores cremes ou brancas; os seus frutos são globulosos cinzentos-amarelados ou negros.
Utilizações: A infusão das flores foi apontada como diurética, emoliente, sudorífera, e com fim de "lavar e curar chagas"; para garganta irritada e dores de dentes utilizavam os madeirenses, segundo informações bibliográficas, a mesma infusão sob a forma de gargarejos; de igual modo, para contusões, feridas e úlceras foi mencionada uma cataplasma de folhas frescas. Na freguesia da Ilha - Santana, num trabalho recentemente feito, foi apontado por vários informantes, o chá de folhas frescas para banhos nas pernas e pés inchados. De forma a atenuar as dores menstruais, referiram a ingestão dum cálice de infusão em aguardente com os frutos da planta.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Inhame de lagartixa

É uma pequena planta com um rizoma tuberoso (um pequeno inhame) que pode atingir o tamanho de uma noz.

Pertence à família das Crassulácias. As folhas são verdes ou avermelhadas, peltadas, arredondadas e côncavas. As margens formam um recorte em ondinhas com um umbigo no meio.

Na Primavera lança uma haste ao longo da qual nascem pequenas flores esverdeadas em forma de tubo, onde se podem distinguir 5 sépalas de 1,5 a 5 mm, e uma corola em forma de campainha com cinco pétalas de cerca de um centímetro.

Muito comum em toda a ilha da Madeira, podemos encontrá-la entre as pedras dos muros e em qualquer parede vertical, de rocha ou de terra. Também aparece nos montes mais altos do Porto Santo, mas muito raramente, assim como na Deserta Grande.

As folhas jovens podem ser consumidas cruas em salada ou cozidas na sopa; do seu suco costumava fazer-se um remédio para a epilepsia mas a ciência não encontrou nenhuma substância que pudesse explicar esta crença. Por cá, além disso, as folhas pisadas eram aplicadas a chagas sob a forma de cataplasma.

Em Portugal chamam-lhe bacelos, conchelos, umbigo-de-vénus, orelhas de monge, fonógrafo, chapéus-dos-telhados, chapéus de parede. Na Europa alguns destes nomes traduzidos, e ainda outros que referem a semelhança das folhas a moedas ou ao umbigo (navelwort, pennywort), mas os madeirenses dão-lhe talvez o nome mais original: inhame de lagartixa.