Esta planta endémica da Madeira, Sibthorpia peregrina, pertencente à família Scrophulariaceae, é conhecida por vários nomes comuns, tais como, Erva - terrestre, Hera - terrestre ou Erva redonda. Herbácea rasteira, frequente na Laurissilva e em outros locais de ambiente sombrio e húmido, apresenta folhas reniformes a orbiculares com as margens crenadas, as flores são pequenas, axilares e em forma de tubo de cor amarelo pálido. Numa pequena localidade na costa norte da ilha da Madeira, freguesia da Ilha (concelho de Santana), em trabalho de campo, foi referido pela população o chá das folhas frescas para o coração. domingo, 11 de maio de 2008
Erva - terrestre
Esta planta endémica da Madeira, Sibthorpia peregrina, pertencente à família Scrophulariaceae, é conhecida por vários nomes comuns, tais como, Erva - terrestre, Hera - terrestre ou Erva redonda. Herbácea rasteira, frequente na Laurissilva e em outros locais de ambiente sombrio e húmido, apresenta folhas reniformes a orbiculares com as margens crenadas, as flores são pequenas, axilares e em forma de tubo de cor amarelo pálido. Numa pequena localidade na costa norte da ilha da Madeira, freguesia da Ilha (concelho de Santana), em trabalho de campo, foi referido pela população o chá das folhas frescas para o coração. segunda-feira, 24 de março de 2008
Poema das Árvores
As árvores crescem sós.
E a sós florescem.
Começam por ser nada.
Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.
Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.
E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.
Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.
As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.
Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.
Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.
António Gedeão
Foto; L. Ramos
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Fedegoso
Fedegoso, Cavaleira, Visigodes, Cavaloa ou Trevo-betuminoso, são inúmeros os nomes vulgares pertencentes a esta planta de nome científico Bituminaria bituminosa.
Esta espécie pertence à família Fabaceae e é indígena da Madeira, Canárias, sul da Europa, norte de África e oeste da Ásia. Na ilha da Madeira, é frequente em locais expostos e secos até aos 650 m de altitude, junto ao mar e no interior, ao longo de caminhos ou em terrenos agrícolas abandonados.
É uma herbácea perene, pubescente de folhas trifoliadas, cujos foliólos são ovados-orbiculares a lineares-lanceolados; as flores estão dispostas em capítulos de 4-17 flores, de cor azul-violácea a branco; o seu fruto é uma vagem com pêlos brancos e pretos. Possui um cheiro forte a betume ou a nafta.
Esta planta, segundo alguns dados etnográficos existentes, era utilizada na ilha da Madeira como tónico capilar.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Losna

Pode considerar-se esta planta um sucesso de domesticação, uma vez que saltou das zonas secas do litoral rochoso da Madeira, do Porto Santo e das Desertas, para os terrenos cultivados, geralmente beiras de muro e foi-lhe dado um uso.
A losna é endémica e foi classificada, no século XVIII por um francês chamado Charles Louis L´Héritier.
A velha citação bíblica “Eis que lhes darei a comer losna, e lhes farei beber águas de fel” referindo-se a outra Artemísia provavelmente a Artemisia absinthium ou a Artemisia vulgaris indica-nos uma característica deste género: é considerada uma das plantas mais amargas ao paladar, só ultrapassada, entre as vulgares na Europa, pela Arruda.
As primas Artemisia absinthium e Artemisia vulgaris são conhecidas e utilizadas desde a antiguidade, a primeira para males de estômago (era o constituinte original do famoso Vermut) e a segunda para “desordens femininas”.
É de crer que os primeiros colonizadores, ao reconhecer parecenças com estas duas, a tenham levado para casa e experimentado os seus benefícios. A planta ajudou, ao ter-se mostrado de fácil cultivo e propagação. Pega de galho e basta-lhe o canto de um muro, muito Sol e boa drenagem.
Reconhecê-la é fácil por ser toda ela de uma cor cinzenta, quase branca, atingir cerca de um metro em altura e largura, e invariavelmente encontrar-se debruçada para fora do muro. As suas folhas esmagadas entre os dedos têm um aroma característico, qualquer coisa entre o chocolate e um produto limpa móveis.
A população madeirense usava as folhas e sumidades floridas em infusão como vermífugo, estomástico, no tratamento da apoplexia e como emenagogo, usos estes explicados pelo Visconde do Porto da Cruz nos seus escritos do princípio do século XX, e referidos também por outros autores.
É uma planta rústica e forma um arbusto bonito que poderá ornamentar qualquer jardim.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
A Um Carvalho
Eis o pai da montanha, o bíblico MoisésVegetal!Falou com Deus também,
E debaixo dos pés,
inominada, tem
A lei da vida em pedra natural!
Forte como um destino,
Calmo como um pastor,
E sempre pontual e matutino
A receber o frio e o calor!
Barbas, rugas e veias
De gigante.
Mas, sobretudo, braços!
Longos e negros desmedidos traços,
Gestos solenes duma fé constante...
Folhas verdes à volta do desejo
Que amadurece.
E nos olha a prece
Da eternidade
Eis o pai da montanha, o fálico pagão
Que se veste de neve e guarda a mocidade
No coração!
Miguel Torga
(Foto retirada daqui)
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Tomate Barrela
Pertence à família Solanaceae, é uma planta perene, pubescente, de folhas alternas ovadas com margens inteiras ou remotamente dentadas, de flores solitárias em forma de campânula, amarelas, com 5 manchas lilacínias. O fruto é uma baga redonda amarela de 11-15 mm, encerrada pelo cálice.
Hoje ainda é cultivada em certas localidades, sendo o seu fruto consumido fresco ou em compota. Outra utilização muito curiosa, na freguesia da Ilha-Santana, era para branquear as peças de linho, utilizadas para confeccionar vestuário para a população, há muitos anos. Para isso, o linho era colocado numa bacia com cinza, em seguida deitavam as seguintes ervas: saramago (Raphanus raphanistrum), feitinhas mansas (Athyrium filix-femina) e o tomate barrela, (Physalis peruviana) fervidas em água; e deixadas as peças de linho corar.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Poema das Folhas Secas de Plátano
desprendem-se e lançam-se na aventura do espaço,
e os olhos de uma pobre criatura
São belas as folhas dos plátanos
contra o fundo de um céu desgrenhado e sangrento.
Ondulam como os braços da preguiça
no indolente bocejo.
Sobem e descem, baloiçam-se e repousam,
traçam erres e esses, cicloides e volutas,
no espaço escrevem com o pecíolo breve,
numa caligrafia requintada, o nome que se pensa,
e seguem e regressam,
dedilhando em compassos sonolentos
a música outonal do entardecer.
São belas as folhas dos plátanos espalhadas no chão.
Eram lisas e verdes no apogeu
da sua juventude em clorofila,
mas agora, no outono de si mesmas,
o velho citoplasma, queimado e exausto pela luz do Sol,
deixou-se trespassar por afiado ácidos.
A verde clorofila, perdido o seu magnésio,
vestiu-se de burel,
de um tom que não é cor,
nem se sabe dizer que nome tenha,
a não ser o seu próprio,
folha seca de plátano.
A secura do Sol causticou-a de rugas,
e esta real e pobre criatura
vendo o solo coberto de folhas outonais
medita no malogro das coisas que a rodeiam:
dá-lhes o tom a ausência de magnésio;
os olhos, a beleza.
António Gedeão
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Mãozinhas de Nossa Senhora
Eriocephalus africanus L.
Também aqui chamado Alecrim da Virgem ou Alecrim de Nossa Senhora, é originário da África do Sul, província do Cabo, onde cresce espontaneamente e onde desde sempre lhe foram reconhecidas propriedades medicinais pelos povos indígenas.
A tradução do nome dado na sua terra natal seria “arbusto da neve do Cabo” (Cape snow bush) devido aos pompons brancos em que se transformam as flores na fase da frutificação.
Não sabemos quando terá chegado à Madeira. Podemos no entanto adivinhar ter vindo pela mão de algum emigrante conhecedor do valor dado na região de origem. Na Madeira parece não formar sementes viáveis, mas multiplica-se facilmente por estaca, pelo que as plantas existentes pela ilha deverão pertencer a um ou a poucos clones.
Cresce cerca de 1m de altura e largura, com folhas cilíndricas, algo suculentas, de
A flor é um pequeno capítulo, com “pétalas” exteriores brancas e flores avermelhadas no interior. Aparecem em grande quantidade em Novembro e a floração prolonga-se por vários meses.
Consultando os trabalhos do Visconde do Porto da Cruz de meados do século passado, ficamos a saber que os madeirenses usavam esta planta para minorar a apoplexia: eram colocadas folhas de alecrim da virgem, arruda, louro, losna, rosmaninho, alecrim e murta sobre as brasas num prato de barro e, logo que começassem a fumegar, o prato era colocado debaixo da roupa de cama do doente que teria de ficar bem abafado, transpirar, e respirar esta mistura.
Ainda segundo o Visconde, raminhos desta planta serviam para perfumar a roupa guardada nas arcas.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Alecrim
O alecrim, de nome científico Rosmarinus officinalis, pertence à família Labiatae. O termo rosmarinus siginifica "orvalho marinho". É um sub-arbusto que pode atingir os 2 m de altura com folhas persistentes, lineares ou lobadas e de margens revolutas. As flores estão dispostas em cachos e possuem uma cor rosada a azulada.
O alecrim é uma planta introduzida de origem mediterrânea, utilizada na Ilha da Madeira na culinária, medicina popular, tradições religiosas e superstições.
A sua utilização, possivelmente a mais conhecida, é em curas contra o "mau-olhado" ou "invejas"; para isso, é necessário um ramo da planta e uma oração própria para o efeito, dita à pessoa com o mal. Segundo o Visconde do Porto da Cruz - autor madeirense com inúmeros trabalhos de etnografia realizados na década de 30 -, a planta era usada na medicina popular para várias doenças, tais como apoplexia, gripe, fastio, reumatismo e tosse. Mencionado também são os ramos para perfumaria, sendo estes colocados em arcas e gavetas; para tirar o mau cheiro de um quarto, os mesmos ramos foram apontados juntamente com cascas de pêros e uma pitada de açúcar, sendo posteriormente queimados sobre as brasas.
Outro uso muito interessante descrito pelo mesmo autor foi os perfumes feitos com incenso, alecrim e cascas de pêros para os pombos "acostumarem-se" aos pombais. Num trabalho recentemente realizado numa localidade da costa norte, o chá da planta foi também apontado para dores de cabeça, stress, enxaquecas, dores menstruais e má-disposição.



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