quinta-feira, 31 de julho de 2008

Hypochoeris



Esta amarelinha foi-me aparecendo ao longo de todo o caminho entre o Terreiro da Luta e o Poiso. Voltei a encontrá-la noutros locais: Fajã da Ovelha em Maio, Fajã da Nogueira em Julho. Aparece-nos geralmente a fazer rapell pelas paredes fora. Pareceria um dente de leão não fosse a ramificação do escape floral. Deu luta através das Floras e ainda não tenho a certeza mas parece-me que o mais provável é tratar-se da Hypochoeris radicata.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Ciúmes

Esta planta com nome comum muito peculiar, designa-se por Consolida ajacis e pertence à família Ranunculaceae. Encontrei-a por mero acaso, pequenina escondida entre a vegetação, numa berma de estrada, na freguesia da Fajã da Ovelha.

sábado, 12 de julho de 2008

Aizoon canariense

Tão pequenina que mal damos por ela.
Num cantinho de escada na Ponta de São Lourenço, em Março de 2008.
Família Aizoaceaea

domingo, 11 de maio de 2008

Erva - terrestre

   Esta planta endémica da Madeira, Sibthorpia peregrina,  pertencente à família Scrophulariaceae, é conhecida por vários nomes comuns, tais como, Erva - terrestre, Hera - terrestre ou Erva redonda. Herbácea rasteira, frequente na Laurissilva e em outros locais de ambiente sombrio e húmido, apresenta folhas reniformes a orbiculares com as margens crenadas, as flores são pequenas, axilares e em forma de tubo de cor amarelo pálido. Numa pequena localidade na costa norte da ilha da Madeira, freguesia da Ilha (concelho de Santana), em trabalho de campo,  foi referido pela população o chá das folhas frescas para o coração.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Poema das Árvores


As árvores crescem sós.
E a sós florescem.
Começam por ser nada.

Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.
Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.
Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
A crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
E entretanto dar flores.

António Gedeão
Foto; L. Ramos