sexta-feira, 15 de junho de 2012

     A Erva-gigante ou Gigante (Acanthus mollis) é uma planta originária do Mediterrâneo, introduzida na ilha da Madeira  à algum tempo. É espontânea em Portugal Continental e nos Açores, na ilha da Madeira está naturalizada, surgindo acima dos 700 mts na costa sul.
     Esta planta era utilizada como ornamental e medicinal. As suas utilizações medicinais eram essencialmente para uso externo, nomeadamente para a desinfeção e cicatrização de feridas onde eram aplicadas as folhas esmagadas. Para  furúnculos, segundo relatos orais e a pouca bibliografia existente, as folhas eram esmagadas e presas com uma faixa de tecido limpo durante algum tempo até que este rebentasse.
      Hoje, tal como muitas vezes reflito sobre as estranhas utilizações de várias ditas plantas medicinais, ressalvando no entanto, que algumas destas poderão de facto ter alguma aplicação e fundamento,  necessitando apenas de estudos científicos que as comprovem...
     Apesar de considerar, que estas inacreditáveis aplicações  são fruto na maior parte dos casos, do conhecimento passado através de gerações e que são  dignas de registo pois são elementos importantes da nossa cultura madeirense. Comove-me, sempre que leio ou oiço um relato destas utilizações "estranhas" pois estas refletem de forma crua e  triste as épocas de carência, de fraco desenvolvimento e muitas vezes a angústia de uma população, que tudo usava e experimentava para tentar curar as suas maleitas...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Borragem

      A borragem ou Borago officinalis  é originária do mediterrâneo atinge aproximadamente os 60 cm de altura, e possui folhas ovais a oblongas, pubescentes e flores de cor azul intenso.
Ao longo da história tem sido usada para atrair as abelhas e dar sabor ao mel, bem como utilizada na medicina tradicional.
      Na antiga Roma, os jovens soldados  tomavam-na para obterem coragem e ânimo, na época dos Cruzados era servida flutuando numa bebida para  o mesmo propósito. Esta herbácea, anual  é ainda utilizada na medicina tradicional e na culinária. As suas folhas frescas  são ricas em vitamina C, cedem um óptimo sabor a saladas, sopas, queijo fresco ou simplesmente são ingeridas após terem sido salteadas em azeite e alho.
     Na ilha da Madeira foi introduzida e cultivada para fins medicinais e melíferos, hoje é subespontânea surgindo em aterros, terras cultivadas ou beiras de caminhos. Segundo alguns trabalhos etnobotânicos realizados, o seu chá é ainda usado para constipações e para a má-circulação...


Foto retirada daqui

 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Wahlenbergia lobelioides
















Wahlenbergia lobelioides subsp. lobelioides

Um endemismo da Macaronésia, presente na Madeira, Desertas, Selvagens e no Porto Santo, onde é possível encontrar em vários picos.

terça-feira, 27 de março de 2012

Segurelha

Thymus vulgaris
A segurelha é possivelmente uma das mais utilizadas plantas aromáticas da Europa, sendo já usada na Antiga Grécia para perfurmar a água dos banhos e ainda queimavam-na nos templos para eliminar as "criaturas venenosas"... Os romanos cultivavam-na ao pé das colmeias para dar sabor ao mel, bem como usavam-na nos queijos e licores. Atualmente, é um dos vários componentes do licor Benedictine.
Na culinária é adicionada aos ensopados, em sopas, pratos de peixe, carne, assim como adicionada nos pickles com azeitonas.
Na ilha da Madeira, esta herbácea é muito utilizada na culinária e como medicinal. Segundo trabalhos etnobotânicos realizados em algumas zonas rurais da ilha, o seu chá junto com Rosmarinus officinalis (alecrim) e Laurus novocanariensis (loureiro); ou esta mistura com dentes de alho, rodelas de limão e vinho ou ainda Thymus vulgaris, Laurus novocanarienis, Cinnamomum zeylanicum (caneleira), dentes de alho (Allium sativum) e vinho eram utilizados para a gripe. Para dores menstruais foi apontada a ingestão de um copo de vinho fervido com um raminho Thymus vulgaris. Para as vacas após ao parto, foi também referido uma porção de vinho fervido com Thymus vulgaris e Cinnamomum zeylanicum.
São inúmeras as suas utilizações... neste pequeno canto do atlântico.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Frankenia do Porto Santo



















Frankenia laevis L.

Segundo a Listagem (Listagem dos fungos, flora e fauna terrestres dos arquipélagos da Madeira e Selvagens) há duas Frankenias no Porto Santo, a F. laevis e a F. pulverulenta.

Estava com alguma dificuldade em identificá-las nas fotografias que trouxe do Porto Santo, mas consultando a Flora of Madeira, Press, 1994 (que velharia), fico a saber que a última é anual.

A F. laevis forma umas matinhas baixas com um ar “nojentinho” nos anos secos, e uma cara bem mais verdinha (e rosa) nos anos menos secos.

É uma resistente, e por vezes o único ser vegetal nas encostas erodidas da ilha.

Numa das fotografias parece distinguir-se um exemplar de pétalas dobradas.