sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gengibre

     Esta planta vivaz, Zingiber officinale Roscoe, segundo se sabe, é uma introdução recente na ilha da Madeira. Pertencente à família das Zingiberáceas é originária do Oriente, nomeadamente da Índia e China.
    Os primeiros registos do uso desta espécie são de Confúcio,  filósofo chinês (551 a.C. - 479 a.C.), que proferiu entre outras, as seguintes frases intemporais: "A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído" ou ainda "Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não receies corrigir teus erros".
    Através dos árabes, esta espécie chegou aos impérios grego e romano, que a usaram como condimentar e medicinal; mais tarde foi também apontada por Dioscórides e Plínio, que associaram o seu cultivo à Arábia e Somália. Foi mencionada também, no livro "Mil e Uma Noites" pelas suas supostas propriedades afrodisíacas, no século XIV na Inglaterra era já tão comum, como a pimenta.
     Atualmente, a Índia é o maior produtor desta planta; e estudos farmacológicos revelaram que possui propriedades digestivas, carminativas (impede a formação de gases no aparelho digestivo), sudoríficas e na Índia referem que tem efeitos afrodisíacos.
     Na ilha da Madeira, não são referidas utilizações pela população em registos mais antigos, hoje, em contexto urbano, concelho do Funchal, o rizoma é usado na culinária e em chá para gripe.
    No Verão, costumo usar a planta para preparar uma bebida refrescante, num jarro raspo parte do seu rizoma, adiciono sumo de limão (Citrus limon), uns raminhos de hortelã pimenta (Mentha piperita) e uma bebida gaseificada (água, 7Up, etc). No fim do dia, acompanha-me o pôr do sol, um copo meio cheio, a tranquilidade de uma escolha consciente, comprovada pelo tempo, e a certeza que só podemos ir até meio percurso, o restante, e óbvio, deverá ser realizado por outrem, sem véus ou tretas, seguindo apenas o que sente.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bálsamo, babosa ou aloe

       Conhecida no Antigo Egipto à 2000 anos a.C, esta planta suculenta também chamada de lírio do deserto é  típica de ambientes xerófitos. Aloe vera (L.) Burm.f. é nativa de Africa e pertence à família das Liliaceae.
     Alexandre o Grande teve conhecimento desta planta, após ter conquistado o Egipto em 332 a.C., que seguindo o conselho de Aristóteles, mandou invadir a ilha de Socotorá, onde esta espécie crescia. Pretendia assim, assegurar "uma panaceia a mãos de semear" para o bravo soldado, ferido das duras e infrutíferas batalhas.
       Nos dias de hoje, o tempo, paciência e  genuíno prazer em cultivar e mimar a própria panaceia, escasseia, como tal as que restam são as facilmente adquiridas nos locais do costume. Estas são perfeitas para o superficial efeito pretendido, e amplamente difundido, todavia importa lembrar, que  "o verdadeiro bálsamo" reside nas células  do parênquima (mais interiores), donde é retirado o gel utilizado à milénios, e que deve ser claramente distinguido do látex (amarelo e altamente purgativo) proveniente de células mais exteriores, logo abaixo da parede da folha. Para isso, há que retirar os espinhos, observar para além das primeiras células e pretender extrair somente o gel, não ambos, só assim e por fim, obteremos o verdadeiro bálsamo. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Salva

      A salva ou Salvia officinalis L. é nativa do norte do mediterrâneo, todavia encontra-se cultivada por toda a Europa e América do Norte. Era conhecida como medicinal já na Antiga Roma, sendo mais tarde, século XVI, cultivada nos jardins dos mosteiros beneditinos.
       A salva caracteriza-se pelas suas folhas oblongas e pela inflorescência em verticilastro, as flores são típicas da família Labiatae de cor lilás a azul. Floresce no Outono e é conhecida pelo aroma forte, que lembra uma mistura de hortelã e cânfora, talvez por isso seja usada para perfurmar roupa e afastar as traças.
     Na ilha da Madeira, o chá da planta é usado como emenagogo, tónico, estomático, para aliviar bronquite, tosse e defluxos.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Dragoeiro

No século XV com o descobrimento do arquipélago da Madeira, novas espécies surgem e surpreendem os primeiros exploradores. Menciono por exemplo, o dragoeiro, Dracaena draco L.,   árvore de grande porte, de frutos amarelos e seiva "cor de sangue", que foi referida pela primeira vez nos diários de viagem de Luigi Cadamosto, navegador italiano, que em 1455,  descreve: "encontrei aí sangue de draco, que nasce em algumas arvóres. Extrai-se desta maneira: dão-se uns golpes de cutelo no pé da árvore e no ano seguinte, os ditos golpes deitam goma, que cosem e purificam e se faz o sangue." Aproximadamente, quinhentos anos após este registo, são mencionadas pelo Visconde do Porto da Cruz, Alfredo de Freitas Branco, algumas utilizações medicinais desta espécie.
A população madeirense, hábil na utilização dos seus recursos, passa a usar a resina depois de reduzida a pó e  mistura-a com aguardente, sendo ingerida em casos de contusões internas, denunciadas por sangue na boca. É também adicionada a feridas, de forma a estancar rapidamente o sangue ou ainda usada em contusões e pancadas.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pessegueiro - inglês, Berbina

Aloysia citriodora Palau      
 
Introduzida na Europa no século XVIII por exploradores espanhóis, esta planta nativa da América Central e Sul, pertence à família das Verbenaceae. Arbusto que pode atingir os 3 m de altura, apresenta folhas lanceoladas, aproximadamente 3 por nó e uma panícula terminal com flores brancas.
Ambas, folhas e flores libertam um doce aroma a limão, em locais distantes deste minúsculo ponto no Atlântico, ilha da Madeira, é usada para aromatizar peixe, aves, doces e pudins, cá é ingerida como bebida refrescante no Verão ou chá quente e aconchegante no Inverno. Segundo relatos orais recentes e registos bibliográficos mais antigos, apresenta algumas aplicações medicinais, tais como calmante, sonorífera, em problemas cardíacos e gripais.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

     A Erva-gigante ou Gigante (Acanthus mollis) é uma planta originária do Mediterrâneo, introduzida na ilha da Madeira  à algum tempo. É espontânea em Portugal Continental e nos Açores, na ilha da Madeira está naturalizada, surgindo acima dos 700 mts na costa sul.
     Esta planta era utilizada como ornamental e medicinal. As suas utilizações medicinais eram essencialmente para uso externo, nomeadamente para a desinfeção e cicatrização de feridas onde eram aplicadas as folhas esmagadas. Para  furúnculos, segundo relatos orais e a pouca bibliografia existente, as folhas eram esmagadas e presas com uma faixa de tecido limpo durante algum tempo até que este rebentasse.
      Hoje, tal como muitas vezes reflito sobre as estranhas utilizações de várias ditas plantas medicinais, ressalvando no entanto, que algumas destas poderão de facto ter alguma aplicação e fundamento,  necessitando apenas de estudos científicos que as comprovem...
     Apesar de considerar, que estas inacreditáveis aplicações  são fruto na maior parte dos casos, do conhecimento passado através de gerações e que são  dignas de registo pois são elementos importantes da nossa cultura madeirense. Comove-me, sempre que leio ou oiço um relato destas utilizações "estranhas" pois estas refletem de forma crua e  triste as épocas de carência, de fraco desenvolvimento e muitas vezes a angústia de uma população, que tudo usava e experimentava para tentar curar as suas maleitas...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Borragem

      A borragem ou Borago officinalis  é originária do mediterrâneo atinge aproximadamente os 60 cm de altura, e possui folhas ovais a oblongas, pubescentes e flores de cor azul intenso.
Ao longo da história tem sido usada para atrair as abelhas e dar sabor ao mel, bem como utilizada na medicina tradicional.
      Na antiga Roma, os jovens soldados  tomavam-na para obterem coragem e ânimo, na época dos Cruzados era servida flutuando numa bebida para  o mesmo propósito. Esta herbácea, anual  é ainda utilizada na medicina tradicional e na culinária. As suas folhas frescas  são ricas em vitamina C, cedem um óptimo sabor a saladas, sopas, queijo fresco ou simplesmente são ingeridas após terem sido salteadas em azeite e alho.
     Na ilha da Madeira foi introduzida e cultivada para fins medicinais e melíferos, hoje é subespontânea surgindo em aterros, terras cultivadas ou beiras de caminhos. Segundo alguns trabalhos etnobotânicos realizados, o seu chá é ainda usado para constipações e para a má-circulação...


Foto retirada daqui

 

quinta-feira, 29 de março de 2012

Wahlenbergia lobelioides
















Wahlenbergia lobelioides subsp. lobelioides

Um endemismo da Macaronésia, presente na Madeira, Desertas, Selvagens e no Porto Santo, onde é possível encontrar em vários picos.

terça-feira, 27 de março de 2012

Segurelha

Thymus vulgaris
A segurelha é possivelmente uma das mais utilizadas plantas aromáticas da Europa, sendo já usada na Antiga Grécia para perfurmar a água dos banhos e ainda queimavam-na nos templos para eliminar as "criaturas venenosas"... Os romanos cultivavam-na ao pé das colmeias para dar sabor ao mel, bem como usavam-na nos queijos e licores. Atualmente, é um dos vários componentes do licor Benedictine.
Na culinária é adicionada aos ensopados, em sopas, pratos de peixe, carne, assim como adicionada nos pickles com azeitonas.
Na ilha da Madeira, esta herbácea é muito utilizada na culinária e como medicinal. Segundo trabalhos etnobotânicos realizados em algumas zonas rurais da ilha, o seu chá junto com Rosmarinus officinalis (alecrim) e Laurus novocanariensis (loureiro); ou esta mistura com dentes de alho, rodelas de limão e vinho ou ainda Thymus vulgaris, Laurus novocanarienis, Cinnamomum zeylanicum (caneleira), dentes de alho (Allium sativum) e vinho eram utilizados para a gripe. Para dores menstruais foi apontada a ingestão de um copo de vinho fervido com um raminho Thymus vulgaris. Para as vacas após ao parto, foi também referido uma porção de vinho fervido com Thymus vulgaris e Cinnamomum zeylanicum.
São inúmeras as suas utilizações... neste pequeno canto do atlântico.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Frankenia do Porto Santo



















Frankenia laevis L.

Segundo a Listagem (Listagem dos fungos, flora e fauna terrestres dos arquipélagos da Madeira e Selvagens) há duas Frankenias no Porto Santo, a F. laevis e a F. pulverulenta.

Estava com alguma dificuldade em identificá-las nas fotografias que trouxe do Porto Santo, mas consultando a Flora of Madeira, Press, 1994 (que velharia), fico a saber que a última é anual.

A F. laevis forma umas matinhas baixas com um ar “nojentinho” nos anos secos, e uma cara bem mais verdinha (e rosa) nos anos menos secos.

É uma resistente, e por vezes o único ser vegetal nas encostas erodidas da ilha.

Numa das fotografias parece distinguir-se um exemplar de pétalas dobradas.