Um dos primeiros registos de utilizações de plantas aromáticas e medicinais para a Ilha da Madeira, foi realizado em 1455 por Luigi Cadamosto. Navegante veneziano ao
serviço do Infante D. Henrique, que visitou as ilha da Madeira e Porto Santo e que registou a utilização do dragoeiro - Dracaena draco L. (endemismo macaronésio) pela população do Porto
Santo. quarta-feira, 30 de julho de 2014
Curiosidades Botânicas
Um dos primeiros registos de utilizações de plantas aromáticas e medicinais para a Ilha da Madeira, foi realizado em 1455 por Luigi Cadamosto. Navegante veneziano ao
serviço do Infante D. Henrique, que visitou as ilha da Madeira e Porto Santo e que registou a utilização do dragoeiro - Dracaena draco L. (endemismo macaronésio) pela população do Porto
Santo. quinta-feira, 26 de junho de 2014
Santos Populares
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| Malfurada da rocha - Hypericum perfuratum |
Na ilha da Madeira, as plantas recolhidas no dia de
São João, antes do amanhecer são consideradas benzidas, segundo a sabedoria popular: “todas as plantas são bentas na manhã de S. João, só a malfurada da rocha, pelos seus pecados, não.”
Assim, na véspera deste dia são apanhados e colocados nas janelas e portas para apanhar o "sereno", os ramos de murta (Myrtus communis), alecrim (Rosmarinus officinalis), loureiro (Laurus novocanariensis), oliveira (Olea madeirensis) ou buxo (Buxus sempervirens), sendo que estes ficam "bentos", e a casa fica protegida. Nas zonas rurais eram colocados ainda, ramos nos palheiros, chiqueiros e/ou galinheiros para que nada de "mau" entrasse e os animais ficassem protegidos. As fontes, também não escapavam a esta tradição, pois tal como hoje, eram enfeitadas com flores, ramos de "louro bento" (L. novocanariensis), canas vieiras (Arundo donax), buxo (B. sempervirens), entre outros, para que a fonte/água ficasse benzida.
Assim, na véspera deste dia são apanhados e colocados nas janelas e portas para apanhar o "sereno", os ramos de murta (Myrtus communis), alecrim (Rosmarinus officinalis), loureiro (Laurus novocanariensis), oliveira (Olea madeirensis) ou buxo (Buxus sempervirens), sendo que estes ficam "bentos", e a casa fica protegida. Nas zonas rurais eram colocados ainda, ramos nos palheiros, chiqueiros e/ou galinheiros para que nada de "mau" entrasse e os animais ficassem protegidos. As fontes, também não escapavam a esta tradição, pois tal como hoje, eram enfeitadas com flores, ramos de "louro bento" (L. novocanariensis), canas vieiras (Arundo donax), buxo (B. sempervirens), entre outros, para que a fonte/água ficasse benzida.
Neste dia, a gastronomia também é típica, o madeirense delicia-se com o atum de escabeche (mistura com azeite, vinagre, cebola, alho e
pimentão), as semilhas (Solanum tuberosum), o feijão fresco e as maçarocas cozidas, acompanhado por um cálice de vinho caseiro. E se seguir a tradição, termina o dia com o mergulho no mar sob as estrelas... pois segundo sabedoria popular, limpa a alma e protege-nos
de todos os males...até ao ano seguinte. Na dúvida..., mergulhamos e aproveitamos breves momentos de calma, puro relaxamento após um dia de labuta, entre a temperatura amena das águas, a frescura da brisa e o som das ondas.
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quinta-feira, 15 de maio de 2014
Tremoceiro
O mês de maio, tem o seu nome devido a Maia, de acordo com a mitologia grega, uma de 7 irmãs, filhas de Atlas e Plêione, que para que escapassem ao gigante Órion, Zeus transformou-as num aglomerado de estrelas, as Plêiades, incluídas na constelação de Touro.
Por cá, ilha da Madeira, mês de maio é mês de sol, começa a cheirar a Verão, iniciam-se os banhos de mar, a leitura na praia acompanhada por uma Coral (mini) e alguns tremoços, temperados com alho (Alllium sativum), salsa (Petrosilium crispum) e pimentão (Capsicum annum).
Estas apetecíveis sementes, ricas em vitamina E e B pertencem à espécie Lupinus albus L., família Fabaceae, onde estão incluídas as ervilhas, o feijão, as lentilhas, entre outras. A planta de onde crescem é originária da Península Balcânica, podendo atingir os 60 cm, as folhas apresentam folíolos oblongos, obtusos a arredondados no ápice com pêlos na página inferior. A sua corola é branca, tingida de azul e a vagem atinge, aproximadamente, 50 mm de comprido.
Na Madeira, tal como noutras partes do mundo, o tremoceiro é usado na agricultura para ajudar a enriquecer o solo com azoto, preparando-o para receber novas plantas e simultaneamente ofertando a população com tremoços, antigamente só comidos na época da Páscoa. Estes, em algumas zonais rurais da ilha, tinham ainda aplicações medicinais e veterinárias, moídos serviam de cataplasmas em inflamações; e a sua decoção usada para remover piolhos de cabras e aves. Refletindo sobre a última utilização, questiono-me, este uso não teria sido uma boa alternativa para novas utilizações.
Estas apetecíveis sementes, ricas em vitamina E e B pertencem à espécie Lupinus albus L., família Fabaceae, onde estão incluídas as ervilhas, o feijão, as lentilhas, entre outras. A planta de onde crescem é originária da Península Balcânica, podendo atingir os 60 cm, as folhas apresentam folíolos oblongos, obtusos a arredondados no ápice com pêlos na página inferior. A sua corola é branca, tingida de azul e a vagem atinge, aproximadamente, 50 mm de comprido.
Na Madeira, tal como noutras partes do mundo, o tremoceiro é usado na agricultura para ajudar a enriquecer o solo com azoto, preparando-o para receber novas plantas e simultaneamente ofertando a população com tremoços, antigamente só comidos na época da Páscoa. Estes, em algumas zonais rurais da ilha, tinham ainda aplicações medicinais e veterinárias, moídos serviam de cataplasmas em inflamações; e a sua decoção usada para remover piolhos de cabras e aves. Refletindo sobre a última utilização, questiono-me, este uso não teria sido uma boa alternativa para novas utilizações.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
Arruda
A família das Rutaceae é um dos maiores grupos das Angiospérmicas (plantas com flor), onde estão incluídos por exemplo, os citrinos e a arruda.
Esta última, Ruta chalepensis, é nativa da região mediterrânica, sendo cultivada e usada como medicinal e aromática desde a antiga Grécia. Actualmente, em alguns países, é adicionada às sopas, saladas ou pão devido ao seu forte paladar e aroma. Apresenta um porte herbáceo atingindo os 70 cm, folhas penatissectas, flores de cor verde amarelada possuindo pétalas fimbriadas, e cápsulas com 4-5 lóbulos.
Na ilha da Madeira, segundo a sabedoria popular, é usada para vários fins, dores de cabeça, dentes, cólicas menstruais e problemas intestinais. Para tromboses, é adicionada ao chá, a noz moscada (Myristica fragrans) ou ingerido um "botão" (cápsula) da planta durante nove dias consecutivos; ou em casos de apoplexia (perda súbita de consciência), eram usados os fumos provenientes das brasas com arruda, losna (Artemisia argentea), folhas de louro (Laurus novocanariensis), e alecrim (Rosmarinus officinalis).
Mais interessantes são os usos associados às superstições, nomeadamente para protecção do mau olhado (inveja), pois ainda hoje em determinadas zonas rurais e em algumas freguesias do Funchal, continua-se a plantar à entrada das casas, a arruda e/ou alecrim para afastar este "mal"... De acordo com os " entendidos", o mau olhado é dado pelo invejoso(a) provocando muitas desgraças ao cobiçado(a), incluindo a sensação de mal estar, tonturas, falta de energia e apetite; assim sendo, para evitar estes casos deve-se colocar no bolso um raminho de alecrim ou ainda, ingerir na manhã de São João, em jejum, um "botão" de arruda com 5 "bicos".
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