domingo, 20 de março de 2016

Domingo de Ramos

Palmito
     Festa cristã, que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém, é celebrada no domingo antes da Páscoa. Antigamente, neste dia era tradição enfeitar as casas com alguns ramos de "palma" (palmeira), e levar para a Missa para serem benzidos, palmitos (ramos de Phoenix sp. trabalhados) ou ramo(s) de alecrim (Rosmarinus officinalis), oliveira (Olea maderensis - que iam buscar à “beira-mar”), loureiro (Laurus novocanariensis), limoeiro (Citrus limon), arruda (Ruta chalepensis), entre outras plantas.
     Segundo alguns relatos, dados de trabalho em campo, apenas os padres levavam “palma”, a população levava outros ramos cujos destinos eram vários. Acalmar o "mau tempo",  queimando uma porção do palmito, “deitando as suas cinzas ao ar”, e pedindo a Deus e a São Bento que acalmasse a tempestade; proteger a casa guardando os ramos até ao ano seguinte; tomando um "chá" para proteger do mau-olhado, utilizando para isso, uma porção de todas as plantas do raminho benzido.

quinta-feira, 10 de março de 2016

Oliveira da rocha, zambujeiro

       Olea europaea L. ssp maderensis Lowe é uma pequena árvore endémica do arquipélago da Madeira, é cada vez mais rara, em escarpas rochosas do litoral; atinge 2, 5 metros de altura e pode ser encontrada até 500 metros de altitude.  As suas folhas são opostas, oblanceoladas a linear - lanceoladas, subsésseis, verde-acinzentadas, sendo um pouco mais escuras na página inferior; as suas flores são pequenas, brancas reunidas numa panícula. A drupa é pequena, pouco carnuda, verde, tornando-se mais escura quando madura. Na ilha da Madeira, e perto da Páscoa são criados pequenos ramos, junto com limoeiro, alecrim e arruda, entre outros, que são  levados para a igreja, na missa do Domingo de Ramos, para serem benzidos e serem colocados em casa para proteção da mesma e da família. 

Oliveira traduz paz,
que se dá aos bem casados,
palma benta aos sacerdotes,
Alecrim aos namorados.
Passei pela oliveira
Cinco folhas que escolhi,
Foram os cinco sentidos
Lindo amor, que eu pus em ti.
Se a oliveira falar,
Ela diria o que viu!
Lá debaixo da sua rama
Dois amantes encobriu.


in Árvores no Cancioneiro Popular

terça-feira, 8 de março de 2016

Quintas, Parques e Jardins do Funchal - Estudo Fitogeográfico

     Esta publicação, resulta de uma dissertação de doutoramento em fitogeografia, elaborada pelo Dr. Raimundo Quintal, onde aborda o estudo dos espaços verdes no concelho do Funchal, nomeadamente das quintas, parques e jardins. Neste trabalho de investigação, elaborou-se uma breve resenha histórica, a caracterização biofísica  do concelho, e ainda o estudo fitogeográfico de cada espaço verde (caracterização e distribuição fitogeográfica, etc.), tendo por base o trabalho de campo realizado entre 2002 e 2005. Posteriormente, foi realizada uma análise para explicar a diversidade florística, o comportamento fenológico das plantas e a origem geográfica da flora ornamental estudada. Finaliza, destacando a importância destes espaços verdes e da conservação de espécies endémicas ameaçadas.

Ref.: Quintal, R. 2007. Quintas, Parques e Jardins do Funchal - Estudo Fitogeográfico. Ensaios 4. Lisboa. Esfera do Caos Editores, Lda.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Árvores e Florestas de Portugal

     De uma parceria entre a Liga para Proteção da Natureza, o Público - Comunicação Social, SA e a Fundação Luso - Americana para o Desenvolvimento, surgiu uma coleção, entre os quais o volume 6 - Açores e Madeira - A floresta das Ilhas. Este volume, editado já a largos anos, surgiu do esforço de diversas pessoas apaixonadas pela produção científica, ciências da natureza em geral, mas com especial destaque para a área da botânica. Entre os vários contribuidores, destacamos para a ilha da Madeira, Aida Pupo-Correia, Dora Aguin Pombo, Susana Nascimento Prada, Carlos Ferreira Lobo,  Francisco Diego Calonge, José Abreu de Jesus, Miguel Menezes de Sequeira e Roberto Abreu Jardim. Abordando temas, tais como as florestas da Macaronésia, biologia e ecologia das florestas das ilhas; a chegadas dos portugueses às ilhas (o antes e o depois); espécies florestais das ilhas, e a distribuição das principais manchas florestais; este volume  pretende divulgar, e simultaneamente, sensibilizar para a urgência de proteção e salvaguarda deste património florestal. Temática esta, cada vez mais importante e atual, no contexto das ilhas atlânticas.

Fonte: Sande Silva, J. (2007). "Árvores e Florestas de Portugal", Vol. 6, Açores e Madeira. Edição Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, Público Comunicação Social, SA e Liga para a Proteção da Natureza, Lisboa.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

     A 16 de abril de 1928, nasce na freguesia do Curral das Freiras (Ilha da Madeira), Manuel de Nóbrega, ordenado sacerdote em 1955 no Seminário Diocesano do Funchal. Devido a sua paixão pelas plantas, publicou alguns trabalhos em revistas científicas, e acompanhou vários investigadores que passaram pelo nosso arquipélago, tais como Afonso Luisier (Revista Brotéria), Padre José Gonçalves da Costa e Herman Persson (Museu História Natural de Estocolmo), entre outros.
   Ao longo dos anos, (1956 - 1996), paroquiou sete freguesias na ilha, e em 1981 por convite de Governo Regional da Madeira, organizou o herbário do Museu do Seminário do Funchal, sendo posteriormente instalado no Jardim Botânico da Madeira. Deixou vários contributos para a ciência, bem como redescobriu plantas consideradas extintas, Berberis maderensis, ArmeriamaderensisGoodyera macrophylla, entre outras.
  Em 1998, foi condecorado com a Ordem de Mérito por Sua Excelência, o Presidente da República Portuguesa. Nesse mesmo ano, resolve criar um herbário pessoal em criptogamia e plantas fanerogâmicas raras, que mais tarde, culminou numa exposição e na publicação em 2013, desta edição.

Fonte: Nóbrega, M. (2013). Ruralidade. S.R. Ambiente e dos Recursos Naturais - DIC - Divisão de Comunicação, 65 pp.