sábado, 13 de agosto de 2016

Oração da Árvore

Após o rescaldo dos incêndios que assolaram a ilha da Madeira, fica um poema, um apelo à importância das árvores, e da floresta.
 
Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
antes que me faças mal olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno,
ou sou a sombra amiga
que tu encontras quando caminhas sob o sol de agosto,
e os meus frutos são a frescura apetitosa
que mata a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
a tábua da tua mesa,
a cama em que tu descansas,
e o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada,
a porta da tua morada,
a madeira do teu berço,
e o aconchego do teu caixão.
Sou o pão da bondade e a flor da beleza.
Tu que passas olha-me bem,
e não me faças mal.
                                                                 Veiga Simões, 1914

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Tabaco

N. tabacum L.
       Nicotiana rustica L. e Nicotiana tabacum L. são das espécies comerciais mais antigas e economicamente mais importantes que se conhece. Da família Solanaceae, são originárias da América do sul, possívelmente do Perú, sendo cultivadas no México, e no sudoeste do continente norte americano desde a época pré-colombiana. Introduzidas pela primeira vez na Europa no século XVI para fins medicinais, a meados do século seguinte, o rei James I da Inglaterra para dissuadir a sua utilização pela população, aplica um imposto.
        Com aproximadamente, 10% de nicotina nas suas folhas curadas, a qualidade do tabaco, dependerá de vários fatores: tempo, secura e solo. Todavia, os quatro tipos de tabaco são reconhecidos de acordo com os diferentes métodos de secagem de folhas maduras: a) ar, b) sol, c) calor artificial e d) fumo. Depois de secas, as folhas são ainda deixadas a fermentar durante 2 a 4 semanas e posteriormente, se necessário serão aromatizadas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ládano, Rock Rose

Ládano - C. ladanifer
   No arquipélago da Madeira, a família Cistaceae está representada por duas espécies, Cistus laurifolius e Cistus ladanifer, plantas consideradas melíferas. Esta última, nativa da região mediterrânea, de bosque secos e terrenos áridos, apresenta flores brancas e folhas lanceoladas, e produz ainda uma resina, "ládano", que com tempo torna-se mais escuro, acinzentado mas com  odor muito agradável usado desde a antiguidade na perfumaria, e como medicinal (ação anti-séptica e mucolítica). Cultivada também como ornamental, da resina é ainda extraída uma tintura obtida pela dissolução da mesma em álcool, uma  preparação elaborada pela primeira vez no séc. XVII. 
Ambergris
Na perfumaria, ressalve-se, é também usado o "ambergris", substância também acinzentada, todavia não de origem vegetal, mas produzida por mamíferos marinhos, e sendo naturalmente libertada no oceano, onde juntamente com a água salgada, sol e ação das ondas transforma-se num "amberito", adicionado posteriormente a várias fragrâncias, e ainda usado na joalheria.

Bibliografia: a)  Borges, P.A.V., Abreu, C., Aguiar, A.M.F., Carvalho, P., Jardim, R., Melo, I., Oliveira, P., Sérgio, C., Serrano, A.R.M. & Vieira, P., 2008.  A List of the Terrestrial Fungi, Flora and Fauna of Madeira and Selvagens Archipelagos, Direção Regional do Ambiente da Madeira and Universidade dos Açores, Funchal and Angra do Heroísmo. b) Proença da Cunha, A., Ribeiro, J.A., Roque, O.R., 2007. Plantas Aromáticas em Portugal- Caracterizações e Utilizações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
 

domingo, 3 de julho de 2016

Botânica, M. & Cultura nos Colóquios de Garcia de Orta

    Garcia de Orta é uma das mais influentes figuras da ciência portuguesa do século XVI. Filho de pais espanhóis fugidos da perseguição judaica da época, nasce em Castelo de Vide, estudando posteriormente medicina na universidade de Alcalá de Henares. Exerce medicina, e ensina Filosofia Natural em Lisboa de 1530 até a sua partida para a Índia  (março de 1534). Em Goa, publica "Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia", onde inclui o primeiro poema publicado do seu amigo Luís Vaz de Camões. Obra singular, que articula diferentes áreas, tempos e lugares, de carácter multidisciplinar, na qual a botânica e medicina, cruzam-se com a história, antropologia, linguística; perspetiva esta, que se perde com a tradução para latim de Charles de l´Écluse.
    Este volume reúne os textos apresentados nos colóquios "O Jardim de Orta. M., Botânica e Cultura nos Colóquios dos Simples" (abril de 2013) em articulação com "O Mundo num Livro" (abril de 2015).

Cardoso, A. Fontes da Costa, P. 2015. Botânica, Medicina e Cultura nos Colóquios de Garcia de Orta.  Edições Colibri, Lisboa,

domingo, 12 de junho de 2016

Nova subespécie de Andryala crithmifolia

   Andryala sp. é um género mediterrânico macaronésio abordado na tese de doutoramento: Biosystematics of the Genus Andryala L. (Asteraceae) realizado por Maria Zita Ferreira e apresentado na Universidade da Madeira em 2015. Utilizando dados morfológicos, através de uma revisão bibliográfica, e análises moleculares, a autora estudou a relação existente entre os diferentes taxa (dezassete), dos quais cinco eram macaronésios  (A. glandulosa, A. sparsiflora, A. crithmifolia Aiton, A. pinnatifida, and A. perezii), quatro endémicos do norte de África (A. mogadorensis, A. maroccana, A. chevallieri, and A. nigricans), e uma espécie endémica da Roménia (A. laevitomentosa). 
   Deste estudo surgiu ainda, uma nova subespécie acima mencionada, novo endemismo para a ilha da Madeira (Portugal), descoberto numa pequena população isolada  na encosta do Cabo Girão, Andryala crithmifolia subsp. coronopifolia (Lowe) M. Z. Ferreira, R. Jardim, A. Fernandez, M. Sequeira.

Ferreira, Maria Zita. 2015. Biosystematics of the Genus Andryala L. (Asteraceae). Dissertação para Grau de Doutor em Ciência Biológicas. Universidade da Madeira, Funchal.
Ferreira, M.Z., Jardim, R., Fernandez, A., Sequeira, M. 2014. On the recognition of a new subspecie of  Andryala crithmifolia Aiton (Asteraceae) from Madeira Island (Portugal), Silva Lusitana, 22, 15pp.