domingo, 4 de setembro de 2016

Documentário

Um bom documentário para quem gosta de plantas.
 
Título: What plants talk about?               Data: 2013  
Sinopse: As plantas e sua comunicação, durante 1 hora, é explicado de forma simples pelo cientista J.C. Cahill (Universidade de Alberta - Canadá), como reagem as plantas e quais são os seus mecanismos de sobrevivência e defesa contra alterações das condições climáticas e predadores. Observando paisagens das florestas do Canadá, ouvimos acerca do mundo desconhecido das plantas.

sábado, 13 de agosto de 2016

Oração da Árvore

Após o rescaldo dos incêndios que assolaram a ilha da Madeira, fica um poema, um apelo à importância das árvores, e da floresta.
 
Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
antes que me faças mal olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno,
ou sou a sombra amiga
que tu encontras quando caminhas sob o sol de agosto,
e os meus frutos são a frescura apetitosa
que mata a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
a tábua da tua mesa,
a cama em que tu descansas,
e o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada,
a porta da tua morada,
a madeira do teu berço,
e o aconchego do teu caixão.
Sou o pão da bondade e a flor da beleza.
Tu que passas olha-me bem,
e não me faças mal.
                                                                 Veiga Simões, 1914

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Tabaco

N. tabacum L.
       Nicotiana rustica L. e Nicotiana tabacum L. são das espécies comerciais mais antigas e economicamente mais importantes que se conhece. Da família Solanaceae, são originárias da América do sul, possívelmente do Perú, sendo cultivadas no México, e no sudoeste do continente norte americano desde a época pré-colombiana. Introduzidas pela primeira vez na Europa no século XVI para fins medicinais, a meados do século seguinte, o rei James I da Inglaterra para dissuadir a sua utilização pela população, aplica um imposto.
        Com aproximadamente, 10% de nicotina nas suas folhas curadas, a qualidade do tabaco, dependerá de vários fatores: tempo, secura e solo. Todavia, os quatro tipos de tabaco são reconhecidos de acordo com os diferentes métodos de secagem de folhas maduras: a) ar, b) sol, c) calor artificial e d) fumo. Depois de secas, as folhas são ainda deixadas a fermentar durante 2 a 4 semanas e posteriormente, se necessário serão aromatizadas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ládano, Rock Rose

Ládano - C. ladanifer
   No arquipélago da Madeira, a família Cistaceae está representada por duas espécies, Cistus laurifolius e Cistus ladanifer, plantas consideradas melíferas. Esta última, nativa da região mediterrânea, de bosque secos e terrenos áridos, apresenta flores brancas e folhas lanceoladas, e produz ainda uma resina, "ládano", que com tempo torna-se mais escuro, acinzentado mas com  odor muito agradável usado desde a antiguidade na perfumaria, e como medicinal (ação anti-séptica e mucolítica). Cultivada também como ornamental, da resina é ainda extraída uma tintura obtida pela dissolução da mesma em álcool, uma  preparação elaborada pela primeira vez no séc. XVII. 
Ambergris
Na perfumaria, ressalve-se, é também usado o "ambergris", substância também acinzentada, todavia não de origem vegetal, mas produzida por mamíferos marinhos, e sendo naturalmente libertada no oceano, onde juntamente com a água salgada, sol e ação das ondas transforma-se num "amberito", adicionado posteriormente a várias fragrâncias, e ainda usado na joalheria.

Bibliografia: a)  Borges, P.A.V., Abreu, C., Aguiar, A.M.F., Carvalho, P., Jardim, R., Melo, I., Oliveira, P., Sérgio, C., Serrano, A.R.M. & Vieira, P., 2008.  A List of the Terrestrial Fungi, Flora and Fauna of Madeira and Selvagens Archipelagos, Direção Regional do Ambiente da Madeira and Universidade dos Açores, Funchal and Angra do Heroísmo. b) Proença da Cunha, A., Ribeiro, J.A., Roque, O.R., 2007. Plantas Aromáticas em Portugal- Caracterizações e Utilizações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
 

domingo, 3 de julho de 2016

Botânica, M. & Cultura nos Colóquios de Garcia de Orta

    Garcia de Orta é uma das mais influentes figuras da ciência portuguesa do século XVI. Filho de pais espanhóis fugidos da perseguição judaica da época, nasce em Castelo de Vide, estudando posteriormente medicina na universidade de Alcalá de Henares. Exerce medicina, e ensina Filosofia Natural em Lisboa de 1530 até a sua partida para a Índia  (março de 1534). Em Goa, publica "Colóquios dos Simples e Drogas e Cousas Medicinais da Índia", onde inclui o primeiro poema publicado do seu amigo Luís Vaz de Camões. Obra singular, que articula diferentes áreas, tempos e lugares, de carácter multidisciplinar, na qual a botânica e medicina, cruzam-se com a história, antropologia, linguística; perspetiva esta, que se perde com a tradução para latim de Charles de l´Écluse.
    Este volume reúne os textos apresentados nos colóquios "O Jardim de Orta. M., Botânica e Cultura nos Colóquios dos Simples" (abril de 2013) em articulação com "O Mundo num Livro" (abril de 2015).

Cardoso, A. Fontes da Costa, P. 2015. Botânica, Medicina e Cultura nos Colóquios de Garcia de Orta.  Edições Colibri, Lisboa,

domingo, 12 de junho de 2016

Nova subespécie de Andryala crithmifolia

   Andryala sp. é um género mediterrânico macaronésio abordado na tese de doutoramento: Biosystematics of the Genus Andryala L. (Asteraceae) realizado por Maria Zita Ferreira e apresentado na Universidade da Madeira em 2015. Utilizando dados morfológicos, através de uma revisão bibliográfica, e análises moleculares, a autora estudou a relação existente entre os diferentes taxa (dezassete), dos quais cinco eram macaronésios  (A. glandulosa, A. sparsiflora, A. crithmifolia Aiton, A. pinnatifida, and A. perezii), quatro endémicos do norte de África (A. mogadorensis, A. maroccana, A. chevallieri, and A. nigricans), e uma espécie endémica da Roménia (A. laevitomentosa). 
   Deste estudo surgiu ainda, uma nova subespécie acima mencionada, novo endemismo para a ilha da Madeira (Portugal), descoberto numa pequena população isolada  na encosta do Cabo Girão, Andryala crithmifolia subsp. coronopifolia (Lowe) M. Z. Ferreira, R. Jardim, A. Fernandez, M. Sequeira.

Ferreira, Maria Zita. 2015. Biosystematics of the Genus Andryala L. (Asteraceae). Dissertação para Grau de Doutor em Ciência Biológicas. Universidade da Madeira, Funchal.
Ferreira, M.Z., Jardim, R., Fernandez, A., Sequeira, M. 2014. On the recognition of a new subspecie of  Andryala crithmifolia Aiton (Asteraceae) from Madeira Island (Portugal), Silva Lusitana, 22, 15pp.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Santos Populares

Igreja de Santo António
(Funchal)
   Chegando ao mês dos Santos Populares, surgem dias com tradições e superstições, muitas associadas a plantas; conhecimentos estes, que se diluem, permanecendo nas memórias dos mais idosos. O alecrim (Rosmarinus officinalis), planta de eleição para rezas e credos, era outrora usado para benzer água, enquanto mencionavam o "credo em cruz", e onde seguidamente era deitado um ovo fresco para desvendar o futuro, ou deitar as sortes para descobrir o nome do(a) futuro(a) esposo(a).
Rosmarinus officinalis
A doze ou a treze de junho, véspera ou dia de Santo António, os jovens saltavam três vezes, em três direções diferentes a fogueira, deixando cair entre as chamas, uma moeda. No dia seguinte, antes do nascer do sol, procuravam a moeda entre as cinzas para doar ao primeiro(a) pobre que encontrassem a caminho da igreja, e a quem deveriam perguntar o nome, o mesmo do(a) seu(sua) futuro(a)  esposo(a).

domingo, 5 de junho de 2016

Verbena bonariensis

   Planta introduzida, já naturalizada, originária do continente americano e pertencente à família verbenaceae. Pode ser encontrada, por toda a costa sul da ilha, em terrenos incultos, terras pedregosas e abandonadas, etc.. Robusta e alta, é uma erva de folhas estreitas e longas, de margens serradas com inflorescências de cor lilás. Apresenta vários nomes  comuns, tais como urgebão ou jarvão, sendo utilizada pela população, como planta ornamental e/ou medicinal, nomeadamente, como diurética e para problemas de rins e fígado.

Silva Vieira, R.M.: 2002. Flora da Madeira - Plantas Vasculares Naturalizadas no Arquipélago da Madeira. Museu Municipal do Funchal - Historia Natural. Funchal.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Linum usitatissimum

O linho é originário do Médio Oriente, pertencente à família Linaceae, cujo cultivo iniciou-se na Europa, possivelmente à 3 mil anos para extração das fibras e do óleo das sementes para a confeção de alimentos.
  Na ilha da Madeira, segundo Silva Vieira (2002), a sua plantação fez-se desde o início do povoamento, sobretudo no norte e sudoeste da ilha, tornando-se naturalizada em terrenos incultos de baixa e média altitude.  Outrora, utilizada pela população como planta têxtil e medicinal,  nomeadamente para constipações (infusão); e ainda para asma, bronquite ou dores menstruais, através da aplicação de uma cataplasma de sementes colocada sobre o peito ou ventre. Atualmente, esta espécie é pouco cultivada, devido ao processo moroso e árduo, amplamente designado na ilha por "tormentos do linho", necessário para o fabrico do "linho da terra", posteriormente empregue para peças de vestuário ou decorativas (e.g. toalhas bordadas).

Silva Vieira, R.M.: 2002. Flora da Madeira - Plantas Vasculares Naturalizadas no Arquipélago da Madeira. Museu Municipal do Funchal - Historia Natural. Funchal.

sábado, 30 de abril de 2016

Jardim Botânico da Madeira

    No século XIX, com o objetivo de abastecer os jardins do reino, e ainda se necessário, vários jardins e estufas por toda a Europa foi sugerido pelo botânico austríaco  Frederico Welwitsch, a criação de dois jardins de aclimação na ilha da Madeira,  um dos quais foi implementado na Lombada, freguesia de Monte, mas extinto pouco tempo depois, permanecendo atualmente, apenas o nome "Quinta do Jardim Botânico".
    O atual Jardim Botânico da Madeira - Eng.º Rui Vieira, foi adquirido na década de cinquenta do século XX, pela Junta Geral do Distrito do Funchal com intuito de albergar os serviços da Estação Agrária e de instalar a futura sede. Esta, Quinta do Bom Sucesso (Quinta da Paz ou Quinta Reid) adquirida a Manuel Gomes da Silva, localizada perto da Levada do Bom Sucesso, possuía alguns hectares e ainda a antiga residência da família Reid, antes de 1936. Posteriormente, foram adquiridos pela mesma entidade, Junta Geral do Distrito  do Funchal,  outros terrenos e anexos incorporados ao  jardim. Nos dias de hoje, o Jardim Botânico, que engloba um museu de história natural, jardins e espaços temáticos, comemora o seu aniversário a 30 de abril, de modo a homenagear o seu primeiro diretor, Sr. Eng. Rui Manuel da Silva Vieira.

Silva, F.A., Meneses, C.A., 1998. Elucidário Madeirense. 3 vols. Ed. fac-símile da edição de 1940-1946. Funchal. Secretária Regional de Turismo e Cultura Direção Regional dos Assuntos Culturais.