terça-feira, 13 de setembro de 2016

Poesia

J. Glover - The Island of Madeira,  XIX century
Desde sempre na poesia são imortalizadas as paisagens das ilhas. No século XVI, o poeta, L. Vaz de Camões na épica obra, Os Lusíadas, descreve episódios da história portuguesa, entre os quais, a viagem do caminho marítimo para a Índia. Num dos seus cantos, também descreve uma das ilhas do Atlântico, a Madeira, e a sua outrora, exuberante vegetação.
 
(...)
"Assim fomos abrindo aqueles mares,
que geração alguma, não abriu.
As novas ilhas vendo e os novos ares.
Que o generoso Henrique descobriu.
De Mauritânia os montes e lugares,
Terra que Anteu num tempo possuiu,
Deixando à mão esquerda, que à direita,
Não há certeza doutra, mas suspeita.
Passamos a grande ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama,
Das que nos povoamos, a primeira,
Mais célebre por nome que por fama,
Nem por ser do mundo a derradeira,
Se lhe avantajam quantas Vénus ama,
Antes, sendo esta sua, se esquecera,
De Cipro, Pafos  e Cítera".

L. Vaz de Camões, in Os Lusíadas, canto - V

domingo, 4 de setembro de 2016

Documentário

Um bom documentário para quem gosta de plantas.
 
Título: What plants talk about?               Data: 2013  
Sinopse: As plantas e sua comunicação, durante 1 hora, é explicado de forma simples pelo cientista J.C. Cahill (Universidade de Alberta - Canadá), como reagem as plantas e quais são os seus mecanismos de sobrevivência e defesa contra alterações das condições climáticas e predadores. Observando paisagens das florestas do Canadá, ouvimos acerca do mundo desconhecido das plantas.

sábado, 13 de agosto de 2016

Oração da Árvore

Após o rescaldo dos incêndios que assolaram a ilha da Madeira, fica um poema, um apelo à importância das árvores, e da floresta.
 
Tu que passas e ergues para mim o teu braço,
antes que me faças mal olha-me bem.
Eu sou o calor do teu lar nas noites frias de inverno,
ou sou a sombra amiga
que tu encontras quando caminhas sob o sol de agosto,
e os meus frutos são a frescura apetitosa
que mata a sede nos caminhos.
Eu sou a trave amiga da tua casa,
a tábua da tua mesa,
a cama em que tu descansas,
e o lenho do teu barco.
Eu sou o cabo da tua enxada,
a porta da tua morada,
a madeira do teu berço,
e o aconchego do teu caixão.
Sou o pão da bondade e a flor da beleza.
Tu que passas olha-me bem,
e não me faças mal.
                                                                 Veiga Simões, 1914

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Tabaco

N. tabacum L.
       Nicotiana rustica L. e Nicotiana tabacum L. são das espécies comerciais mais antigas e economicamente mais importantes que se conhece. Da família Solanaceae, são originárias da América do sul, possívelmente do Perú, sendo cultivadas no México, e no sudoeste do continente norte americano desde a época pré-colombiana. Introduzidas pela primeira vez na Europa no século XVI para fins medicinais, a meados do século seguinte, o rei James I da Inglaterra para dissuadir a sua utilização pela população, aplica um imposto.
        Com aproximadamente, 10% de nicotina nas suas folhas curadas, a qualidade do tabaco, dependerá de vários fatores: tempo, secura e solo. Todavia, os quatro tipos de tabaco são reconhecidos de acordo com os diferentes métodos de secagem de folhas maduras: a) ar, b) sol, c) calor artificial e d) fumo. Depois de secas, as folhas são ainda deixadas a fermentar durante 2 a 4 semanas e posteriormente, se necessário serão aromatizadas.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ládano, Rock Rose

Ládano - C. ladanifer
   No arquipélago da Madeira, a família Cistaceae está representada por duas espécies, Cistus laurifolius e Cistus ladanifer, plantas consideradas melíferas. Esta última, nativa da região mediterrânea, de bosque secos e terrenos áridos, apresenta flores brancas e folhas lanceoladas, e produz ainda uma resina, "ládano", que com tempo torna-se mais escuro, acinzentado mas com  odor muito agradável usado desde a antiguidade na perfumaria, e como medicinal (ação anti-séptica e mucolítica). Cultivada também como ornamental, da resina é ainda extraída uma tintura obtida pela dissolução da mesma em álcool, uma  preparação elaborada pela primeira vez no séc. XVII. 
Ambergris
Na perfumaria, ressalve-se, é também usado o "ambergris", substância também acinzentada, todavia não de origem vegetal, mas produzida por mamíferos marinhos, e sendo naturalmente libertada no oceano, onde juntamente com a água salgada, sol e ação das ondas transforma-se num "amberito", adicionado posteriormente a várias fragrâncias, e ainda usado na joalheria.

Bibliografia: a)  Borges, P.A.V., Abreu, C., Aguiar, A.M.F., Carvalho, P., Jardim, R., Melo, I., Oliveira, P., Sérgio, C., Serrano, A.R.M. & Vieira, P., 2008.  A List of the Terrestrial Fungi, Flora and Fauna of Madeira and Selvagens Archipelagos, Direção Regional do Ambiente da Madeira and Universidade dos Açores, Funchal and Angra do Heroísmo. b) Proença da Cunha, A., Ribeiro, J.A., Roque, O.R., 2007. Plantas Aromáticas em Portugal- Caracterizações e Utilizações, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.