terça-feira, 3 de janeiro de 2017


Minha Terra,
não te canto pelas tuas belezas, nem pelas tuas flores,
nem por esse verde impossível dos teus montes,
nem pelo canto cristalino das tuas fontes,
nem pelo azul puríssimo do céu e do mar
eu te respeito só.
Venero sim, os meus antepassados
que num sonho de há quinhentos anos,
lograram-se ao criar-te num esforço sobrehumano
e desbravar o mato, quebrar a pedra,
domar o mar, os ventos e a adversidade.
Gastar o sangue, os anos e vontade,
a construir poios, a aproveitar a terra,
até onde os pisos altaneiros, as nuvens apunhalam
e a desafiar as bocarras ciolópicas e as gargantas da montanha
dominar a torrente de frágua em frágua,
para as suas lágrimas, o seu suor e sua água,
pudesse hoje existir, (...) Madeira.
                                                                                                                 Bom Ano!
Secundino Teixeira (séc. XX) 
Fonte: Vieira, A. 1998. Do Éden à Arca de NóeSecretaria Regional do Turismo e Cultura - CEHA 

domingo, 11 de dezembro de 2016

Dia Mundial das Montanhas

         No dia onze de dezembro, comemora-se o Dia Mundial das Montanhas, instituído pela Unesco pretende consciencializar a população para a importância da preservação das montanhas, ecossistemas terrestres ricos, representando  um quarto da superfície terrestre. É o habitat de inúmeras espécies, fonte de recursos naturais (água, comida, combustível, etc.) ajudando ainda regular a temperatura e qualidade do ar.  Contudo, extremamente vulneráveis devido às degradações de origem antrópica e natural.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Dia do Voluntariado

      No dia cinco de dezembro, comemora-se o dia internacional do voluntariado. De forma a incutir a importância para conservação da natureza nos mais jovens, fica a sugestão de plantar uma árvore, ajudando também a reflorestar mais rapidamente as nossas florestas. O projeto "Uma árvore pela floresta" criado pela Quercus em parceria com os CTT,  é uma boa ideia, onde pode comprar uma árvore, e oferecê-la à família, amigas(os), colegas, à Natureza. Boa ação!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Arundo donax

    Ao longo dos tempos, cada cultura favorece certos aspetos do seu ambiente, e certas formas práticas e simbólicas de se relacionar com o mesmo. Na ilha da Madeira, a utilização de plantas com fins aromáticos, medicinais e associada a tradições está ainda bem presente, sejam espécies endémicas, nativas ou introduzidas. A  cana vieira, espécie introduzida da Asia Central e Meridional, propaga-se por terrenos incultos, baldios ou bermas de terrenos agrícolas, pertencente à família Poaceae tornou-se infestante. Contudo, a população dá-lhe também utilidade, os rebentos desta monocotiledónea e  apenas os que "nunca viram o mar", são utilizados em infusões do trato urinário e dores menstruais, ou ainda para a primeira maleita, em decocções Parietaria  judaica, Polygonum aviculare ou de Lavatera cretica e Linum usitatissimum.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Poesia

J. Glover - The Island of Madeira,  XIX century
Desde sempre na poesia são imortalizadas as paisagens das ilhas. No século XVI, o poeta, L. Vaz de Camões na épica obra, Os Lusíadas, descreve episódios da história portuguesa, entre os quais, a viagem do caminho marítimo para a Índia. Num dos seus cantos, também descreve uma das ilhas do Atlântico, a Madeira, e a sua outrora, exuberante vegetação.
 
(...)
"Assim fomos abrindo aqueles mares,
que geração alguma, não abriu.
As novas ilhas vendo e os novos ares.
Que o generoso Henrique descobriu.
De Mauritânia os montes e lugares,
Terra que Anteu num tempo possuiu,
Deixando à mão esquerda, que à direita,
Não há certeza doutra, mas suspeita.
Passamos a grande ilha da Madeira,
Que do muito arvoredo assim se chama,
Das que nos povoamos, a primeira,
Mais célebre por nome que por fama,
Nem por ser do mundo a derradeira,
Se lhe avantajam quantas Vénus ama,
Antes, sendo esta sua, se esquecera,
De Cipro, Pafos  e Cítera".

L. Vaz de Camões, in Os Lusíadas, canto - V