sexta-feira, 19 de julho de 2019

"Atlantic Wonders - Summer School"

        Numa interligação entre a ecologia e o design surge de 23-30 julho de 2019, a segunda edição de  "Atlantic Wonders - Summer School". A ilha da Madeira rica em biodiversidade e em distintos ecossistemas será o laboratório perfeito para que vertente do design possamos obter conhecimentos e algumas das técnicas utilizadas na área das Ciências Naturais. 
       Madeira will host the second edition of the Atlantic Wonder Summer School from 23–30 July 2019. The rich biodiversity and presence of various natural ecosystems make of the island the perfect living lab to experiment with and shape a Nature Centred Design approach. This year we will focus on tools and methods that belong to the natural sciences. We will explore and apply these in order to learn about the complex interconnections within natural mechanisms and systems. 

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Árvore Extinta da Família do Chá Descoberta na Ilha da Madeira

      Há cerca de 2,5 milhões de anos na Europa e na Ásia existia uma pequena árvore da família Theaceae, Eurya stigmosa, que devido a alterações climáticas desapareceu da plataforma continental, mas permaneceu  nas ilhas Atlânticas. Segundo investigações paleobotânicas mais recentes, publicadas na revista científica Quaternary Science Reviews por Carlos Góis Marques, aluno de doutoramento em Geologia pela Faculdade de Ciências (U. Lisboa), esta mesma planta existiria também na ilha da Madeira à cerca de 1,3 milhões de anos, embora em situação de refúgio juntamente com várias plantas que hoje em dia constituem a Floresta Laurissilva. 
     A floresta Laurissilva na ilha da Madeira representa 20% do total da ilha distribuída por 15. ooo hectares, tendo caraterísticas subtropicais, húmida, e tendo ocupado áreas ao longo da bacia do mediterrâneo mas que devido às últimas glaciações desapareceu, tendo o remanescente permanecido na zona da Macaronésia (arquipélagos da Madeira, Açores, Canárias e Cabo Verde). Esta nova espécie, Eurya Stigmosa, descoberta por este jovem investigador, também mais tarde extinguiu-se, possivelmente devido às glaciações que ocorreram durante o Pleistoceno ou, segunda hipótese, devido à época de colonização pela ação do Homem. 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

O Chá e os Portugueses

    A planta da família Theaceae, Camellia sinensis, é originária do sudoeste asiático. Esta planta, segundo a lenda, começou a ser ingerida em água a ferver no II século a.C  no Oriente por acidente, quando uma folha da árvore caiu numa chávena de água a ferver preparada para o imperador Chang Nung. Contudo, as folhas desta planta já eram anteriormente ingeridas, sendo consideradas uma "iguaria vegetal", pelo modo de preparação similar aos "pickles". Os monges budistas, também adoptaram o hábito do chá, sobretudo porque os ajudavam a permanecer despertos durante longas horas de meditação. Mais tarde, no século V, o chá chegou ao Japão por uma rota que passava pela Coreia, e no final do século VI, o consumo de chá já se tinha generalizado por toda Ásia.
Na época dos Descobrimentos, a planta saiu do oriente para o velho continente, a Europa, e mais tarde para o Novo Mundo. Os corajosos portugueses tiveram um importante papel na sua dispersão; reza a lenda que a introdução do chá na Grã-Bretanha deveu-se à rainha D. Catarina de Bragança aquando do seu casamento com um rei inglês, levando assim, o hábito da ingestão de uma chávena de chá pela tarde.

segunda-feira, 1 de abril de 2019

O Cacau


    A planta do cacau (Theobromma cacao) é originária da região amazónica da América do Sul, sendo já conhecida pelos povos maias, como indicam os antigos hieróglifos encontrados na região. "Ka-Ka-Wa" (glifo maia de onde derivou a palavra  "cacau"), continha formas próprias de cultivo, secagem e de moagem, podendo ainda ser misturada com baunilha (Vanilla planifolia), mel de abelhas ou ainda malaguetas (Piper sp.). Misturada com água era uma bebida estimulante de delicioso odor e sabor, que os primeiros europeus julgavam ser uma espécie de "vinho". Servia de moeda de troca na América Central e do Sul, um bem precioso, pois a aristocracia mesoamericana monopolizava o seu consumo. 
Esta planta, cacaueiro, chegou  à Europa de forma reiterada através dos séculos, primeiro com Cristovão Colombo no século XV, mais tarde com Hernás Cortés século XVI, sendo também consumida pela aristocracia europeia, e mais tarde popularizada pelos grandes centros europeus da época, nas casas de chá e chocolate. No fim do século XVIII, o chocolate quente já era bastante preterido ao chá e café, como bebida, sendo mais tarde convertida em barras sólidas pelos ingleses e transformadas devido a adição de diferentes plantas, açúcar (Saccharum offinarum), frutos secos (amendoim -Arachis hypogaea; amendôa- Prunus dulcis), ou menta (Mentha sp.), num dos alimentos mais cobiçados e adorados do mundo... UAUU, Cacau...

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Dia de São Martinho

    O Dia de São Martinho é comemorado um pouco por toda a Europa, mas as tradições variam. Em Portugal, comemora-se na véspera ou no próprio dia, fazendo-se magustos e elaborando as refeições típicas da época, na ilha da Madeira degustam-se as semilhas (Solanum tuberosum) com  batata doce (Ipomeas batatas), couve (Brassica oleracea) ou outros legumes cozidos, o bacalhau assado ou atum de escabeche, e nas adegas prova-se o vinho, segundo o ditado popular: "em dia de São Martinho vamos à adega e prova-se o vinho". É uma antiga tradição, que tal como no Dia de Todos os Santos, acendiam-se fogueiras e assavam-se castanhas (Castanea sativa), sendo também motivo para mais um convívio familiar e social. Segundo a lenda, num dia de Inverno e de chuva (III-IV d.C.), um soldado que seguia o seu caminho, encontrou um pobre a tremer de frio, sem nada que lhe pudesse dar, empenhou a sua espada e cortou a capa que usava a meio, cobrindo-o com uma das partes. Mais à frente, encontrou mais um mendigo, com quem partilhou a outra parte. Sem nada que o protege-se do frio, São Martinho, continuou a sua viagem, todavia, rege a lenda que as nuvens abriram-se e o sol surgiu, prologando-se o bom tempo por vários dias. Surge assim, segundo os populares, a expressão: o verão de São Martinho.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Druidismo - O Ciclo do Ano

Desde o Iluminismo, que a nossa cultura tem vindo a projectar a mensagem de que a vida é linear, de que nascemos, envelhecemos, morremos e tudo acaba. A antiga mensagem do carácter cíclico da vida, enquanto ciclo ou espiral foi substituída pelo símbolo de uma linha a direito: uma mundo-visão masculina, linear e científica Carr-Gomm (2011). Segundo o autor, Carr-Gomm (2011), os resultados provocados por esta mudança na nossa consciência colectiva, de uma concepção circular da vida para uma concepção linear foi o desligar das "almas", em relação a uma das fontes espirituais mais veneradas: a Natureza. 
No Druidismo, a visão de Divindade era de algo omnipresente, manifestando-se em diferentes formas, estrelas, pedras, animais, árvores, etc... Para a sua  celebração, Natureza, cumprimos um conjunto de oito cerimónias ao longo do ano (cada uma delas concebida para nos ajudar a sintonizarmo-nos com o ritmo da respectiva estação do ano e com a vida na Terra). Neste sentido, a vida do Homem é um ciclo:  “nascemos vivemos a infância, a juventude, envelhecemos e mais tarde morremos”, conceito representado por um círculo, onde no seu interior está a sua alma, a sua identidade. O mundo, estações do ano são claramente cíclicas: sucedem-se umas às outras, por isso, podemos dispo-las num círculo do ano. O mesmo acontece com os dias: cada dia nasce de madrugada, atinge o seu ponto alto ao meio-dia e depois começa a escurecer, dando lugar à noite, altura em que morre, renascendo depois na madrugada seguinte (Carr-Gomm, 2011). 
      “O círculo do ano e o círculo do dia têm afinidades: o Inverno é como a morte da noite, quando tudo fica quieto. A Primavera é como o nascer do dia, quando os pássaros acordam e louvam o céu. O Verão é como o meio-dia, uma altura de calor máximo e em que o crescimento é maior. E o Outono é como o fim de tarde pois até mesmo, as suas cores se parecem com as do pôr-do-sol. Temos assim, os dois ciclos da Terra em sintonia (Carr-Gomm, 2011)."
Existe ainda, uma ligação entre o nosso ciclo e o ciclo da Terra. No nosso ciclo há um nascimento, morte e renascimento. No ciclo da Terra, no solstício de Inverno ocorre a noite mais longa; no lado oposto, no solstício de Verão, onde está a sua máxima força é a altura do ano com o dia mais longo. A primavera corresponde à época da tua infância, o Verão à fase mais jovem da idade adulta, o Outono à tua fase madura e o Inverno à tua morte. E no centro da roda da tua vida está a tua alma, tal como no centro da roda da Terra está o sol. Daí o sol, ser um elemento reverenciado no Druidismo.

Carr-Gomm, P., 2011, Os Mistérios dos Druídas, Editora Zéfiro, Lisboa.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

O Equinócio de Outono


   Durante o ano ocorrem os equinócios, na Primavera e no Outono, a vegetação e a luz solar diminuem, os dias e as noites são iguais. No hemisfério norte, o equinócio de outono celebra-se entre os dias 21 a 22 de setembro. Esta altura do ano, já era comemorada desde a época dos antigos Druídas, em que consideravam os equinócios de outono, momentos de equilíbrio, paz e do tempo de se fazer uma avaliação de tudo aquilo que foi plantado e colhido. Nas florestas, as folhas começam a cair e o Sol a desaparecer rapidamente, a natureza "declina" e prepara para a chegada do inverno. Segundo, o druidismo, no equinócio de outono deveremos lembrarmos também daqueles que estão doentes e as pessoas mais velhas, que precisam da nossa ajuda, sendo que devemos proferir palavras de amor e carinho, antes da travessia para o Outro Mundo. 
Nas casas, enfeitam os altares e/ou as mesas com os grãos e sementes, que sobraram das primeiras colheitas, folhas secas, ramos, castanhas, maçãs e outros frutos do outono. Não esquecendo,  de agradecer à Mãe Terra pelas bênçãos recebidas. 
- Simbologia: resultado das colheitas, preparar-se para o inverno e despedir-se do verão.
- Tons: acastanhos, bejes, avermelhados, etc.
- Alimentos: pães de cereais, sementes e frutos secos, tubérculos, vinho branco ou sumos naturais, cerveja, etc.

domingo, 22 de julho de 2018

Massaroco(s)

     A família Boraginaceae, herbáceas e arbustos, engloba vários géneros, entre os quais o Echium sp. a que pertencem os massarocos. Na ilha da Madeira, podemos encontrar três exemplares deste género botânico, o Echium plantagineum (vermelhão), o Echium candicans (massaroco) de zonas montanhosas, e o Echium nervosum (massaroco) de regiões litorais. O primeiro exemplar, E. plantagineum, é uma herbácea existente também no Porto Santo, com uma corola relativamente maior aos restantes dois géneros de porte arbustivo, que podem se distinguir, de forma mais rápida pelo tamanho da inflorescência e fruto, bem como pela área biogeográfica, onde se encontram. Habitualmente, estas últimas duas espécies têm inflorescências de tons violeta ou azuis, todavia, podemos encontrar variações a estas tonalidades.
Echium nervosum
Echium nervosum
Echium candicans

Echium candicans

"Que Saberes para o Século XXI"

O projeto: “Aprender Madeira” - Dicionário Enciclopédico da Madeira tem como intuito compilar todo o conjunto de conhecimentos existentes sobre o arquipélago da Madeira, de distintas áreas (e.g. História, Biologia, Antropologia, Economia, Literatura, etc.), desde a sua formação geológica da ilha até à atualidade.

Após as Ilhas de Zarco de Eduardo C.N. Pereira (1940), e do Elucidário Madeirense ( Pe. Fernando Augusto da Silva e Dr. Carlos de Azevedo Menezes, 1921), e que não era atualizado desde a década de 1940, surge este projeto, inserido também no programa das Comemorações dos Descobrimentos do Arquipélago da Madeira (século XV) por João Gonçalves Zarco. Assim sendo, o todo o "Dicionário Enciclopédico da Madeira" terá um total de 10 volumes, que serão publicados, faseadamente, "Que Saberes para o Século XXI" foi a primeira publicação que englobou várias temáticas, entre as quais botânica.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Congresso FloraMac - 2018

  No mês de setembro, de 12 a 15, irá realizar-se o congresso internacional FloraMac onde serão debatidos os últimos estudos científicos relativos à flora macaronésica.
  Em três dias, serão apresentadas comunicações e apresentações de posters, que culminarão com uma saída de campo, no último dia, à ilha do Porto Santo.
 Os valores da inscrição incluem materiais, refeições (pausas a meio da manhã e tarde, almoços, e  jantar final), bem como viagens.  Inscrições terão de ser feitas até à última semana do mês de junho. 

   Inscrevam-se!!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Documentário: Semente - A História por Contar

 No documentário, "Seeds - History Untold", é desvendado que as sementes tiveram um papel fundamental na história da alimentação e que a sua protecção  é fulcral para o futuro da sobrevivência humana. Vitais desde o início da Humanidade, este documentário menciona o papel daqueles que protegeram este legado alimentar e cultivaram-no em terrenos férteis desde o início da história da agricultura. No século passado, entre 70 a 90% das variedades de sementes desapareceram, não esquecendo a grande maioria, ainda não descoberta pelo Homem devido à perda de habitats. Hoje, à medida que as empresas de biotecnologia controlam a maioria das sementes, agricultores e cientistas, travam uma luta para defender parte do futuro da alimentação humana. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Solstício de Inverno

    O solstício de Inverno é comemorado num festival no dia 21 de Dezembro. No país de Gales, este festival é conhecido como Alban Arthen, luz do Inverno, uma versão poética que relaciona o Solstício à lenda do rei Arcturus, o guardião da estrela polar, umas das estrelas mais brilhantes do hemisfério norte. Neste período, os dias tornam-se mais curtos, as noites frias e longas, a escuridão prevalece. Na noite mais longa do ano, noite do Solstício de Inverno, os antigos pagãos recusavam-se a acreditar na morte do sol. 
    Em vez disso, juntavam-se para celebrar a luz e a natureza adormecida, contudo, as tradições dos antigos povos pagãos persistem ainda hoje, em pequenos rituais, tais como no acender das luzes de Natal, na aplicação de decorações natalícias nas habitações, no som do crepitar da lenha nas lareiras, e nos cheiros típicos a ramos de pinheiro ou a musgo, não esquecendo a confecção de gastronomia típica, bolos de frutas cristalizadas, bebidas quentes de vinho adocicado com especiarias ou cacau, etc... que relembram costumes de civilizações antigas

terça-feira, 22 de agosto de 2017

O Chá de Segurelha

          Os tempos eram difíceis e árduos, os dias repetiam-se com o único objetivo de colocar comida sobre a mesa. Da terra saíam as hortaliças: batata doce, semilhas, feijão, entre outras; da rocha: os alhos, cenouras e azedas, e de perto dos ribeiros: o inhame, galhotas, e o agrião. No rosto, as linhas revelam o passar do tempo, conferindo uma estranha rudeza, que contrasta com um olhar profundo, doce, estranhamente doloroso para quem o vê pois é claramente sofredor. O dia começa cedo para as jovens mulheres, as semilhas do jantar do dia anterior, e uma chávena de café saciam a fome, as galinhas e porcos têm de ser alimentados, as camas feitas e o chão varrido. No lume é colocado a panela para o almoço, semilhas e feijão, que será embrulhada numa toalha, juntamente com pequenos pêros e um pão que alberguerá a mistura de vinho diluído com açúcar e raspas de limão. O dia será longo e só terminará após o último socalco de terra ser revirado para receber o mato seco e a feiteira, que servirá de cama para a batata germinar e crescer. Pelo caminho, colhe-se ainda erva para que no dia seguinte seja alimentada a vaca, entre a exaustão de um dia de trabalho, a terra e o suor que lhe desce o rosto, as mãos enrugadas e morenas trabalham rapidamente pois o jantar ainda terá de ser feito, e a água de rega chegará tarde. As costas doem, e o peso da barriga custa, os nove meses estão quase no fim, mas a lua está ainda em quarto minguante, e a erva terá de ser levada até casa. Mais tarde, com o jantar adiantado, uma lanterna é acesa, o caminho até à cultura ainda é longo e a claridade é pouca, após algumas horas com os pés gelados e molhados, o trilitar dos dentes sobrepõem-se ao vento, que move as folhas das árvores próximas, as dores tornam-se insuportáveis, mas a rega ainda não terminou. A custo e gelada até à alma, percorre o caminho até casa e lembra-se enquanto encerra os dentes, que a água terá ainda de ser aquecida e a tesoura esterilizada. De súbito, e ao mesmo tempo que avista a casa, um fluxo de água quente desce pelas pernas que tremem, chegou a hora, pensa. Ela nasce, pequena e rosada, gritando em plenos pulmões. Após ser limpa com paninhos de linho, a mãe de olhar terno, embrulha-a numa pequena manta e coloca-a ao seu lado por breves minutos. Logo, os lençóis da cama são mudados, a higiene feita e a roupa trocada, o jantar terminado e o chá tomado, antes de aconchegar-se junto à filha onde acaba por adormecer exausta, esperando pelo marido, que acabará por chegar... 
Chá - decocção de segurelha, Thymus vulgaris, para promover contrações e a saída da placenta. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Documentários - Plantas (Arquipélago da Madeira)

    Para as férias, e para quem gosta de plantas, deixo aqui uma sugestão, a visualização de "Plantas Com História", conjunto de vários documentários de 10 minutos realizados pela RTP Madeira, em 2016, tendo como principal orador o geógrafo Prof. Dr. Raimundo Quintal. Com vários temas, relativos diferentes espécies de plantas, o investigador menciona gimnospérmicas e angiospérmicas, endémicas, introduzidas e autóctones oriundas dos mais diferentes pontos do mundo. 
     Desfrutem!

sábado, 13 de maio de 2017

Águas mansas das levadas                                  Levadas da minha aldeia                       
tal como as ribeiras,                                            galgando de monte em monte                      
que em vindo o Inverno,                                     enchei de seiva esses vales,
inundam casas vinhedos e leiras.                       cantei nas pedras da fonte,  
(...)
Essa voz suave encerra,                                       As aves já aprenderam,
enigma doce e profundo.                                     o vosso lindo cantar,
cantais promessas dos céus                                  cantam ensinando às flores, 
ou chorais males do mundo?                              como se deve falar.

À vossa beira se espelham                                 A serra já não se lembra,
hortênsias, musgos e flores,                              das gerações que passaram,
velhos loureiros murmuram                             e a vida vai e renova-se,
loucas histórias de amores.                               e as águas nunca pararam.
(...)
Tudo seria mais triste,                                        
na quietude da serra,          
se a vossa voz não ouvisse                                 
como a própria voz da terra.                              
(...)

A. F. Gomes. Baladas das Levadas (1998)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017


Talvez fosse por Deus, o autor da Natureza,
esta ilha da Madeira, ser da nação portuguesa.
(...)
Tremendo os descobridores pela massa florestal,
não houvesse animais bravos, 
que pudessem causar mal, 
largaram fogo na ilha por sete anos agitados,
mas vestígios de tais feras, 
não consta ser encontrado.
Mais tarde arrependeram-se, depois da terra  abrazada,                                    
pois a madeira mais fina, até então encontrada,
estava toda em carvão, uma imensa derrocada.
Ficou-lhe o nome Madeira, do seu tempo florestal,
e também flor do oceano, a jóia de Portugal.

Manuel Gonçalves (séc. XX)
Fonte: Vieira, A. 1998. Do Éden à Arca de Noé. Secretaria Regional do Turismo e Cultura, CEHA.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017


Minha Terra,
não te canto pelas tuas belezas, nem pelas tuas flores,
nem por esse verde impossível dos teus montes,
nem pelo canto cristalino das tuas fontes,
nem pelo azul puríssimo do céu e do mar
eu te respeito só.
Venero sim, os meus antepassados
que num sonho de há quinhentos anos,
lograram-se ao criar-te num esforço sobrehumano
e desbravar o mato, quebrar a pedra,
domar o mar, os ventos e a adversidade.
Gastar o sangue, os anos e vontade,
a construir poios, a aproveitar a terra,
até onde os pisos altaneiros, as nuvens apunhalam
e a desafiar as bocarras ciolópicas e as gargantas da montanha
dominar a torrente de frágua em frágua,
para as suas lágrimas, o seu suor e sua água,
pudesse hoje existir, (...) Madeira.
                                                                                                                 Bom Ano!
Secundino Teixeira (séc. XX) 
Fonte: Vieira, A. 1998. Do Éden à Arca de NóeSecretaria Regional do Turismo e Cultura - CEHA 

domingo, 11 de dezembro de 2016

Dia Mundial das Montanhas

         No dia onze de dezembro, comemora-se o Dia Mundial das Montanhas, instituído pela Unesco pretende consciencializar a população para a importância da preservação das montanhas, ecossistemas terrestres ricos, representando  um quarto da superfície terrestre. É o habitat de inúmeras espécies, fonte de recursos naturais (água, comida, combustível, etc.) ajudando ainda regular a temperatura e qualidade do ar.  Contudo, extremamente vulneráveis devido às degradações de origem antrópica e natural.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Dia do Voluntariado

      No dia cinco de dezembro, comemora-se o dia internacional do voluntariado. De forma a incutir a importância para conservação da natureza nos mais jovens, fica a sugestão de plantar uma árvore, ajudando também a reflorestar mais rapidamente as nossas florestas. O projeto "Uma árvore pela floresta" criado pela Quercus em parceria com os CTT,  é uma boa ideia, onde pode comprar uma árvore, e oferecê-la à família, amigas(os), colegas, à Natureza. Boa ação!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Arundo donax

    Ao longo dos tempos, cada cultura favorece certos aspetos do seu ambiente, e certas formas práticas e simbólicas de se relacionar com o mesmo. Na ilha da Madeira, a utilização de plantas com fins aromáticos, medicinais e associada a tradições está ainda bem presente, sejam espécies endémicas, nativas ou introduzidas. A  cana vieira, espécie introduzida da Asia Central e Meridional, propaga-se por terrenos incultos, baldios ou bermas de terrenos agrícolas, pertencente à família Poaceae tornou-se infestante. Contudo, a população dá-lhe também utilidade, os rebentos desta monocotiledónea e  apenas os que "nunca viram o mar", são utilizados em infusões do trato urinário e dores menstruais, ou ainda para a primeira maleita, em decocções Parietaria  judaica, Polygonum aviculare ou de Lavatera cretica e Linum usitatissimum.