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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Plantas Aromáticas e Medicinais (Ilha da Madeira)


   "Na ilha da Madeira cerca de ¼ dos taxa têm aplicações aromáticas e medicinais, bem como são usados na veterinária e em superstições/rituais. As famílias mais utilizadas são as Poaceae, Labiatae, Asteraceae, seguindo-se das Rosaceae; por ordem de utilização, encontramos as plantas autóctones, introduzidas, cultivares, e por fim as endémicas. Das plantas introduzidas, a maioria é proveniente da Europa, América Central e do Sul, e Ásia.
    Relativamente às plantas medicinais, verifica-se através de vários estudos realizados na ilha, que a maioria das mesmas era utilizada para uso interno, sendo os principais modos de preparação, o “chá” (termo utilizado para as infusões ou decoções), seguidamente, da “infusão” (macerações alcoólicas) de misturas de uma ou mais plantas em aguardente de borra de vinho ou de cana-de-açúcar, sumos, e ainda ingestão direta de partes de plantas (e.g. fruto). Para uso externo, as plantas eram aplicadas através de cataplasmas, lavagens, aplicação direta do látex, vapores e “fumos” (e.g. queima de folhas). Em geral, as partes mais usadas são as folhas, raminhos e frutos, que quando possível, eram utilizadas em estado fresco.
     As espécies medicinais e aromáticas mais referidas para a ilha são: o Laurus novocanariensis  (loureiro); Rosmarinus officinalis L. (alecrim); Senecio serpens  (bálsamo de canudo); entre outras.
 
Fonte: Ramos, L.; Menezes de Sequeira, M. (2015). Plantas Aromáticas e Medicinais (Ilha da Madeira). Disponível em: http://aprenderamadeira.net/plantas-aromaticas-e-medicinais-na-ilha-da-madeira/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os citrinos

    A família Rutaceae apresenta 160 géneros, nestes estão incluídos os citrinos, primos da arruda (Ruta sp.). O género Citrus sp. é proveniente do sudoeste da Ásia, com  cerca de 16 espécies, que nos concedem as laranjas doces (Citrus sinensis) ou amargas (C. aurentium), as tangerinas (C. reticulata), o cidrão (C. medica), as limas (C. aurantifolia) ou limões (C. limon), entre outras. Considerados um dos géneros mais importantes do mundo, os citrinos surgem pela primeira vez, em registos históricos persas em 300 A.c. Na Europa, são introduzidos na Época dos Descobrimentos, sendo posteriormente levados para o "Novo Continente" pelos espanhóis. 
    O limão é o citrino com maior número de aplicações médicas comprovadas cientificamente. Na ilha da Madeira, o conhecimento popular menciona-o para várias maleitas desde gripe (infusão da casca), a garganta inflamada (rodelas polvilhadas com açúcar e ingeridas), a varíola (esfregar o sumo sobre área afectada), a disenteria (ingestão de sumo com canela em pó, duas colheres de sopa de vinagre e açucar), etc... Para além, de todos estes  usos é utilizado na culinária ou ainda associado a tradições / superstições. 
   De todos citrinos, o limão e a laranja, são os mais utilizo, esta última como fonte diária de vitamina C e o limão, como matéria prima para um sumo refrescante ou para uma infusão nos dias quentes ou frios, respectivamente. Assim sendo, e aproveitando o resquício das férias, após a praia e antes do jantar, faço um sumo, dois limões, duas a três fatias de abacaxi, duas folhas de hortelã, não esquecendo a água... dois cubos de gelo, ideal para refrescar. Recordo-me então, de um velho ditado: "quando a vida te dá limões, faz limonada", seguro no copo e dirijo-me à varanda, levando tranquilamente, um pequeno livro de bolso das edições Asa, que muito prezo e me acompanha: "Histórias de Mulheres"...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Bolo de Mel de Cana de Açucar

       Nesta altura,  meados de Dezembro, após as típicas limpezas da época, a cera passada no soalho, o óleo de cedro nos móveis, saem dos armários da cozinha  as receitas, só vistas uma vez por ano e onde constam os ingredientes usados para a confeção dos típicos bolos de mel. 
      Neste bolo, misturam-se odores e sabores individualmente únicos,  mas soberbos quando em conjunto, as especiarias, Cinnamomum zeylanicum Garc. Ex. Blume  (canela) e Myristica fragans  (noz moscada), a cidra Citrus medica L., os frutos secos, Juglans regia L. (nozes), Prunus dulcis (Mill.) D.A. Webb. (amêndoas) e o mel de cana de açúcar, Saccharum officinarum L., produzido na ilha. Ironicamente, todas estas plantas são originárias do continente asiático, algumas chegadas até à ilha da Madeira devido à época dos Descobrimentos e possivelmente, à importância geográfica da região, como ponto de convergência entre os diversos arquipélagos macaronésicos e os distantes continentes.   
    Adicionamos ainda, a farinha, banha de porco, fermento royal, vinho madeira e outros tantos ingredientes. Algum tempo depois, teremos um bolo que deverá ser  partido com as mãos e acompanhado, se seguir a boa tradição madeirense, com um bom cálice de vinho Madeira, meio seco...

Foto

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Figueira

       A figueira, Ficus carica L. é nativa do sudoeste da Ásia, tendo sido introduzida na Ilha da Madeira  no início do povoamento. Pertencente à família Moraceae, pensa-se que foi domesticada na região do crescente fértil (hoje, Irão, Iraque, Síria, sul da Turquia, Jordânia, Israel e Egipto) e nas áreas secas a sul da Mesopotâmia. Os primeiros indícios do seu cultivo remonta aos 3000 bC, tendo posteriormente se propagado pelo Mediterrâneo, Índia, China, chegando apenas no século XVI ao Novo Mundo. Podendo atingir os 10 mts, as suas folhas são caducas (caem no Inverno) e os figos são pseudofrutos, sicónios, resultado de uma inflorescência.
        Na ilha da Madeira, o chá das folhas era usado para a gripe e constipações, diabetes e reumatismo, os figos ou mel do mesmo fruto eram colocados sobre os furúnculos e o látex usado para as verrugas.
         No Natal, em casa de famílias mais humildes, nas zonas rurais, a confeção do tradicional bolo de mel era feita com mel de figos que substituía o mel de cana de açúcar comprado nas mercearias.
Este mel era preparado nos meses de Verão, logo que os figos ficavam maduros. O processo era moroso, estes eram primeiro cozidos, depois colocados dentro de uma saca e apertados para extrair o suco, que era fervido e donde resultava um líquido doce, amarelo torrado e meio viscoso, avidamente comido com pão. Só após uma segunda cozedura é que obtínhamos o mel, pastoso, mais escuro e com um sabor estranhamente similar ao mel de cana.
Hoje, enquanto saboreio um figo bem maduro, o palato e a memória são estimulados, surgindo lembranças das visitas à casa dos meus avós, dos risos, do cheiro a férias de Verão, e do sorriso do meu avô rodeado pelos netos, que despreocupadamente riam e comiam figos. Crianças, acreditando ainda em contos de fadas, onde a vida é sempre  justa e simples, as pessoas francas e frontais, não se deixando iludir e manipular por ventos e marés, e que valores, tais como a lealdade, confiança, amor, etc. movem o mundo.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pessegueiro - inglês, Berbina

Aloysia citriodora Palau      
 
Introduzida na Europa no século XVIII por exploradores espanhóis, esta planta nativa da América Central e Sul, pertence à família das Verbenaceae. Arbusto que pode atingir os 3 m de altura, apresenta folhas lanceoladas, aproximadamente 3 por nó e uma panícula terminal com flores brancas.
Ambas, folhas e flores libertam um doce aroma a limão, em locais distantes deste minúsculo ponto no Atlântico, ilha da Madeira, é usada para aromatizar peixe, aves, doces e pudins, cá é ingerida como bebida refrescante no Verão ou chá quente e aconchegante no Inverno. Segundo relatos orais recentes e registos bibliográficos mais antigos, apresenta algumas aplicações medicinais, tais como calmante, sonorífera, em problemas cardíacos e gripais.

terça-feira, 27 de março de 2012

Segurelha

Thymus vulgaris
A segurelha é possivelmente uma das mais utilizadas plantas aromáticas da Europa, sendo já usada na Antiga Grécia para perfurmar a água dos banhos e ainda queimavam-na nos templos para eliminar as "criaturas venenosas"... Os romanos cultivavam-na ao pé das colmeias para dar sabor ao mel, bem como usavam-na nos queijos e licores. Atualmente, é um dos vários componentes do licor Benedictine.
Na culinária é adicionada aos ensopados, em sopas, pratos de peixe, carne, assim como adicionada nos pickles com azeitonas.
Na ilha da Madeira, esta herbácea é muito utilizada na culinária e como medicinal. Segundo trabalhos etnobotânicos realizados em algumas zonas rurais da ilha, o seu chá junto com Rosmarinus officinalis (alecrim) e Laurus novocanariensis (loureiro); ou esta mistura com dentes de alho, rodelas de limão e vinho ou ainda Thymus vulgaris, Laurus novocanarienis, Cinnamomum zeylanicum (caneleira), dentes de alho (Allium sativum) e vinho eram utilizados para a gripe. Para dores menstruais foi apontada a ingestão de um copo de vinho fervido com um raminho Thymus vulgaris. Para as vacas após ao parto, foi também referido uma porção de vinho fervido com Thymus vulgaris e Cinnamomum zeylanicum.
São inúmeras as suas utilizações... neste pequeno canto do atlântico.