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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Arundo donax

    Ao longo dos tempos, cada cultura favorece certos aspetos do seu ambiente, e certas formas práticas e simbólicas de se relacionar com o mesmo. Na ilha da Madeira, a utilização de plantas com fins aromáticos, medicinais e associada a tradições está ainda bem presente, sejam espécies endémicas, nativas ou introduzidas. A  cana vieira, espécie introduzida da Asia Central e Meridional, propaga-se por terrenos incultos, baldios ou bermas de terrenos agrícolas, pertencente à família Poaceae tornou-se infestante. Contudo, a população dá-lhe também utilidade, os rebentos desta monocotiledónea e  apenas os que "nunca viram o mar", são utilizados em infusões do trato urinário e dores menstruais, ou ainda para a primeira maleita, em decocções Parietaria  judaica, Polygonum aviculare ou de Lavatera cretica e Linum usitatissimum.

domingo, 5 de junho de 2016

Verbena bonariensis

   Planta introduzida, já naturalizada, originária do continente americano e pertencente à família verbenaceae. Pode ser encontrada, por toda a costa sul da ilha, em terrenos incultos, terras pedregosas e abandonadas, etc.. Robusta e alta, é uma erva de folhas estreitas e longas, de margens serradas com inflorescências de cor lilás. Apresenta vários nomes  comuns, tais como urgebão ou jarvão, sendo utilizada pela população, como planta ornamental e/ou medicinal, nomeadamente, como diurética e para problemas de rins e fígado.

Silva Vieira, R.M.: 2002. Flora da Madeira - Plantas Vasculares Naturalizadas no Arquipélago da Madeira. Museu Municipal do Funchal - Historia Natural. Funchal.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Linum usitatissimum

O linho é originário do Médio Oriente, pertencente à família Linaceae, cujo cultivo iniciou-se na Europa, possivelmente à 3 mil anos para extração das fibras e do óleo das sementes para a confeção de alimentos.
  Na ilha da Madeira, segundo Silva Vieira (2002), a sua plantação fez-se desde o início do povoamento, sobretudo no norte e sudoeste da ilha, tornando-se naturalizada em terrenos incultos de baixa e média altitude.  Outrora, utilizada pela população como planta têxtil e medicinal,  nomeadamente para constipações (infusão); e ainda para asma, bronquite ou dores menstruais, através da aplicação de uma cataplasma de sementes colocada sobre o peito ou ventre. Atualmente, esta espécie é pouco cultivada, devido ao processo moroso e árduo, amplamente designado na ilha por "tormentos do linho", necessário para o fabrico do "linho da terra", posteriormente empregue para peças de vestuário ou decorativas (e.g. toalhas bordadas).

Silva Vieira, R.M.: 2002. Flora da Madeira - Plantas Vasculares Naturalizadas no Arquipélago da Madeira. Museu Municipal do Funchal - Historia Natural. Funchal.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Plantas Aromáticas e Medicinais (Ilha da Madeira)


   "Na ilha da Madeira cerca de ¼ dos taxa têm aplicações aromáticas e medicinais, bem como são usados na veterinária e em superstições/rituais. As famílias mais utilizadas são as Poaceae, Labiatae, Asteraceae, seguindo-se das Rosaceae; por ordem de utilização, encontramos as plantas autóctones, introduzidas, cultivares, e por fim as endémicas. Das plantas introduzidas, a maioria é proveniente da Europa, América Central e do Sul, e Ásia.
    Relativamente às plantas medicinais, verifica-se através de vários estudos realizados na ilha, que a maioria das mesmas era utilizada para uso interno, sendo os principais modos de preparação, o “chá” (termo utilizado para as infusões ou decoções), seguidamente, da “infusão” (macerações alcoólicas) de misturas de uma ou mais plantas em aguardente de borra de vinho ou de cana-de-açúcar, sumos, e ainda ingestão direta de partes de plantas (e.g. fruto). Para uso externo, as plantas eram aplicadas através de cataplasmas, lavagens, aplicação direta do látex, vapores e “fumos” (e.g. queima de folhas). Em geral, as partes mais usadas são as folhas, raminhos e frutos, que quando possível, eram utilizadas em estado fresco.
     As espécies medicinais e aromáticas mais referidas para a ilha são: o Laurus novocanariensis  (loureiro); Rosmarinus officinalis L. (alecrim); Senecio serpens  (bálsamo de canudo); entre outras.
 
Fonte: Ramos, L.; Menezes de Sequeira, M. (2015). Plantas Aromáticas e Medicinais (Ilha da Madeira). Disponível em: http://aprenderamadeira.net/plantas-aromaticas-e-medicinais-na-ilha-da-madeira/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os citrinos

    A família Rutaceae apresenta 160 géneros, nestes estão incluídos os citrinos, primos da arruda (Ruta sp.). O género Citrus sp. é proveniente do sudoeste da Ásia, com  cerca de 16 espécies, que nos concedem as laranjas doces (Citrus sinensis) ou amargas (C. aurentium), as tangerinas (C. reticulata), o cidrão (C. medica), as limas (C. aurantifolia) ou limões (C. limon), entre outras. Considerados um dos géneros mais importantes do mundo, os citrinos surgem pela primeira vez, em registos históricos persas em 300 A.c. Na Europa, são introduzidos na Época dos Descobrimentos, sendo posteriormente levados para o "Novo Continente" pelos espanhóis. 
    O limão é o citrino com maior número de aplicações médicas comprovadas cientificamente. Na ilha da Madeira, o conhecimento popular menciona-o para várias maleitas desde gripe (infusão da casca), a garganta inflamada (rodelas polvilhadas com açúcar e ingeridas), a varíola (esfregar o sumo sobre área afectada), a disenteria (ingestão de sumo com canela em pó, duas colheres de sopa de vinagre e açucar), etc... Para além, de todos estes  usos é utilizado na culinária ou ainda associado a tradições / superstições. 
   De todos citrinos, o limão e a laranja, são os mais utilizo, esta última como fonte diária de vitamina C e o limão, como matéria prima para um sumo refrescante ou para uma infusão nos dias quentes ou frios, respectivamente. Assim sendo, e aproveitando o resquício das férias, após a praia e antes do jantar, faço um sumo, dois limões, duas a três fatias de abacaxi, duas folhas de hortelã, não esquecendo a água... dois cubos de gelo, ideal para refrescar. Recordo-me então, de um velho ditado: "quando a vida te dá limões, faz limonada", seguro no copo e dirijo-me à varanda, levando tranquilamente, um pequeno livro de bolso das edições Asa, que muito prezo e me acompanha: "Histórias de Mulheres"...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Santos Populares

Malfurada da rocha -
Hypericum perfuratum
  No mês de junho ou no mês dos Santos Populares, são comemorados com mais fervor, o Santo António, São João e o São Pedro, dias repletos de tradições e superstições muito curiosas, muitas das quais associadas a plantas.
  Na ilha da Madeira, as plantas recolhidas no dia de São João, antes do amanhecer são consideradas benzidas, segundo a sabedoria popular: “todas as plantas são bentas na manhã de S. João, só a malfurada da rocha, pelos seus pecados, não.”
  Assim, na véspera  deste dia são apanhados e colocados nas janelas e portas para apanhar o "sereno", os ramos de murta (Myrtus communis), alecrim (Rosmarinus officinalis), loureiro (Laurus novocanariensis), oliveira (Olea madeirensis) ou buxo (Buxus sempervirens), sendo que estes ficam "bentos", e a casa fica protegida. Nas zonas rurais eram colocados ainda, ramos nos palheiros, chiqueiros e/ou galinheiros para que nada de "mau" entrasse e os animais ficassem protegidos. As fontes, também não escapavam a esta tradição, pois tal como hoje, eram enfeitadas com flores, ramos de "louro bento" (L. novocanariensis), canas vieiras (Arundo donax), buxo (B. sempervirens), entre outros, para que a fonte/água ficasse benzida.
  Neste dia, a gastronomia também é típica, o madeirense delicia-se com o atum de escabeche (mistura com azeite, vinagre, cebola, alho e pimentão), as semilhas (Solanum tuberosum), o feijão fresco e as maçarocas cozidas, acompanhado por um cálice de vinho caseiro. E se seguir a tradição, termina o dia com o mergulho no mar sob as estrelas... pois segundo sabedoria popular, limpa a alma e protege-nos de todos os males...até ao ano seguinte. Na dúvida..., mergulhamos e aproveitamos breves momentos de calma, puro relaxamento após um dia de labuta, entre a temperatura amena das águas, a frescura da brisa e o som das ondas.
Foto

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tremoceiro

       O mês de maio, tem o seu nome devido a Maia, de acordo com a mitologia grega, uma de 7 irmãs, filhas de Atlas e Plêione, que para que escapassem ao gigante Órion, Zeus transformou-as num aglomerado de estrelas, as Plêiades, incluídas na constelação de Touro.
      Por cá, ilha da Madeira, mês de maio é mês de sol, começa a cheirar a Verão, iniciam-se os banhos de mar, a leitura na praia acompanhada por uma Coral (mini) e alguns tremoços, temperados com alho (Alllium sativum), salsa (Petrosilium crispum) e pimentão (Capsicum annum).
     Estas apetecíveis sementes, ricas em vitamina E e B pertencem à espécie Lupinus albus L., família Fabaceae, onde estão incluídas as ervilhas, o feijão, as lentilhas, entre outras. A planta de onde crescem é originária da Península Balcânica, podendo atingir os 60 cm, as folhas apresentam folíolos oblongos, obtusos a arredondados no ápice com pêlos na página inferior. A sua corola é branca, tingida de azul e a vagem atinge, aproximadamente, 50 mm de comprido.
     Na Madeira, tal como noutras partes do mundo, o tremoceiro é usado na agricultura para ajudar a enriquecer o solo com azoto, preparando-o para receber novas plantas e simultaneamente ofertando a população com tremoços, antigamente só comidos na época da Páscoa. Estes, em algumas zonais rurais da ilha, tinham ainda aplicações medicinais e veterinárias, moídos serviam de cataplasmas em inflamações; e a sua decoção usada para remover piolhos de cabras e aves. Refletindo sobre a última utilização, questiono-me, este uso não teria sido uma boa alternativa para novas utilizações.
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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Arruda

   A família das Rutaceae é um dos maiores grupos das Angiospérmicas (plantas com flor), onde estão incluídos por exemplo, os citrinos e a arruda.
    Esta última, Ruta chalepensis, é nativa da região mediterrânica, sendo cultivada e usada como medicinal e aromática desde a antiga Grécia. Actualmente, em alguns países, é adicionada às sopas, saladas ou pão devido ao seu forte paladar e aroma. Apresenta um porte herbáceo atingindo os 70 cm, folhas penatissectas, flores de cor verde amarelada possuindo pétalas fimbriadas, e cápsulas com 4-5 lóbulos.
    Na ilha da Madeira, segundo a sabedoria popular, é usada para vários fins, dores de cabeça, dentes, cólicas menstruais e problemas intestinais. Para tromboses, é adicionada ao chá, a noz moscada (Myristica fragrans) ou ingerido um "botão" (cápsula) da planta durante nove dias consecutivos; ou em casos de apoplexia (perda súbita de consciência), eram usados os fumos provenientes das brasas com arruda, losna (Artemisia argentea), folhas de louro (Laurus novocanariensis), e alecrim (Rosmarinus officinalis).  
   Mais interessantes são os usos associados às superstições, nomeadamente para protecção do mau olhado (inveja), pois ainda hoje em determinadas zonas rurais e em algumas freguesias do Funchal, continua-se a plantar à entrada das casas, a arruda e/ou alecrim para afastar este "mal"...  De acordo com os " entendidos", o mau olhado é dado pelo invejoso(a) provocando muitas desgraças ao cobiçado(a), incluindo a sensação de mal estar, tonturas, falta de energia e apetite; assim sendo, para evitar estes casos deve-se colocar no bolso um raminho de alecrim ou ainda, ingerir na manhã de São João, em jejum, um "botão" de arruda com 5 "bicos".
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domingo, 2 de março de 2014

Feiteira

   Neste pequeno universo insular, 760 km2 de orografia íngreme e agreste, outrora de vegetação exuberante, hoje repleto de frondosas acácias (Acacia sp.), cativantes pinheiros (Pinus sp.), elegantes eucaliptos (Eucalyptus globulus), e esbeltas canas vieiras (Arundo donax), que por enquanto, iludem a visão do turista mais distraído ou míope, enredos cómicos elaboram-se e vendem-se.
   Na nossa região, tal como a feiteira [Pteridium aquilinum (L.) Kuhn], pteridófita muito comum na ilha, o espírito de competição abunda, o espírito de camaradagem e partilha dilui-se. A inexistência de partilha de informação ou conhecimento é real e concreta, ensina-se, imprime-se e perpetua-se através de gerações. A mentalidade do ilhéu revela-se por vezes, pequena e fechada, pouco fazendo para mudar, excepto raras excepções. No entanto, espera-se assim, que tal como a feiteira (família Hypolepidaceae), de rizomas extensos, frondes triangulares a ovadas e pêlos acastanhados, esta forma de estar no mundo, restrinja-se às serras e terrenos incultos.
   Mas o pouco de uns, torna-se o muito de alguns, e o anseio de reconhecimento é grande, sanguinariamente desejado, intestinalmente concentrado. Inventam-se histórias, criam-se boatos, mas até para isso há bom remédio, visto que a época é de penúria para alguns, semelhante a outros tempos, em que triturava-se o rizoma da feiteira para fazer papas e pão para saciar a fome, sugere-se para o ego, a pasta de celulose reciclada...
     Por aqui, mantém-se uma consciência limpa, o sentimento de tranquilidade e de esperança por novos tempos, com mais frontalidade, franqueza e partilha.
Fonte

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Eucalipto

    O eucalipto, Eucalyptus globulus Labill pertence à família Myrtaceae, onde ainda estão incluídas, a pitangueira (Eugenia uniflora), a goiabeira (Psidium guajava), a murta (Myrtus communis), entre outras. O género Eucalyptus sp.  é  nativo da Tansmânia, Austrália e possui cerca de 400 espécies.
    O continente australiano, reconhecendo a importância do óleo essencial de  E. globulus, iniciou a sua comercialização no ano de 1852, para fins medicinais. Atualmente, sabe-se que o óleo essencial possui cineol ou eucaliptol, composto com propriedades antissépticas, expetorantes, broncodilatadoras, febrífugas e sudoríficas.
    Na ilha da Madeira, esta espécie foi introduzida à cerca de 200 anos, tornando-se muito frequente entre os 400 e  1200 mts de altitude, sendo amplamente cultivada para combustível, todavia, hoje tornou-se numa planta invasora.
   Segundo a população madeirense, o "chá" das folhas é usado para problemas respiratórios, constipações, bronquite, diabetes e para o sistema nervoso, que deverá ser usado com cuidado pois em excesso será perigoso. Ainda para as vias respiratórias, são usadas as inalações e banhos; e para as pernas "pesadas", as massagens com infusão dos frutos em álcool , sendo os últimos, apanhados e colocados nas gavetas e armários das roupas para evitar a traça.
   O cheiro das folhas e frutos é de tal forma intenso, que relembra-me as gripes e constipações de infância, bem como a enorme panela com decocção de folhas sobre a mesa da cozinha, onde enfiava o nariz com a cabeça coberta por uma toalha. Ao lado, acompanhavam-me uma mãe zangada que alertava para os perigos de correr à chuva e os sobrinhos que se riam; mas visto que era importante prevenir problemas semelhantes, a  malta da risota acabava sempre por ter o mesmo destino... o pijama, a toalha e a panela... :)
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sábado, 4 de janeiro de 2014

Abacateiro, Pereira - Abacate

     O abacateiro, Persea americana Mill., irmão do vinhático Persa indica (L.) Spreng., pertence à família Lauraceae, da qual fazem também parte, o til, barbuzano e o loureiro, os principais representantes da floresta Laurissilva.
  É uma das mais antigas espécies, mesoamericanas, domesticadas. O fruto, abacate (nome derivado de ahuacatl, "testículo" em Nahuat),   é rico principalmente em vitamina E e  potássio, possuindo ainda as vitaminas B6 e C. Hoje, pelo que sei, existem três variedades que resultaram do processo de domesticação por diferentes grupos locais e adaptações a distintos climas. A Persea americana var. drymifolia (abacate do México) com frutos pequenos, epicarpo fino, preto arroxeado;  a  var. guatemalensis, (abacate da Guatemala) de epicarpo rugoso; e a var. americana adaptada a regiões mais baixas dos trópicos, mais húmidas, com frutos arredondados a periformes, mesocarpo carnudo e epicarpo fino.
       Na ilha da Madeira, esta espécie pode atingir os 20 metros de altura, tendo sido introduzida para fins alimentares. Todavia, a população também a usa como medicinal, nomeadamente, a infusão das folhas para dores de cabeça, estômago, reumatismo, fígado e rins, sendo ainda empregue em cistites.     
       Grandes, médias, pequenas, lisas ou rugosas consoante a variedade, as pêras-abacates são um dos frutos mais apreciados na ilha da Madeira. Com açúcar, sal ou mel de abelhas, na salada de alface, com camarão, no pão ou saboreada por si só, implica apenas que saibamos o que precisamos, que muitas vezes, nem é o que gostamos...
No meu caso, gosto de pêra-abacates doces e amanteigadas, ricas em vitamina E, simples, sem confusões ou variedades à mistura,  ideais para iniciar bem o dia, afagando o estômago e a alma...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Figueira

       A figueira, Ficus carica L. é nativa do sudoeste da Ásia, tendo sido introduzida na Ilha da Madeira  no início do povoamento. Pertencente à família Moraceae, pensa-se que foi domesticada na região do crescente fértil (hoje, Irão, Iraque, Síria, sul da Turquia, Jordânia, Israel e Egipto) e nas áreas secas a sul da Mesopotâmia. Os primeiros indícios do seu cultivo remonta aos 3000 bC, tendo posteriormente se propagado pelo Mediterrâneo, Índia, China, chegando apenas no século XVI ao Novo Mundo. Podendo atingir os 10 mts, as suas folhas são caducas (caem no Inverno) e os figos são pseudofrutos, sicónios, resultado de uma inflorescência.
        Na ilha da Madeira, o chá das folhas era usado para a gripe e constipações, diabetes e reumatismo, os figos ou mel do mesmo fruto eram colocados sobre os furúnculos e o látex usado para as verrugas.
         No Natal, em casa de famílias mais humildes, nas zonas rurais, a confeção do tradicional bolo de mel era feita com mel de figos que substituía o mel de cana de açúcar comprado nas mercearias.
Este mel era preparado nos meses de Verão, logo que os figos ficavam maduros. O processo era moroso, estes eram primeiro cozidos, depois colocados dentro de uma saca e apertados para extrair o suco, que era fervido e donde resultava um líquido doce, amarelo torrado e meio viscoso, avidamente comido com pão. Só após uma segunda cozedura é que obtínhamos o mel, pastoso, mais escuro e com um sabor estranhamente similar ao mel de cana.
Hoje, enquanto saboreio um figo bem maduro, o palato e a memória são estimulados, surgindo lembranças das visitas à casa dos meus avós, dos risos, do cheiro a férias de Verão, e do sorriso do meu avô rodeado pelos netos, que despreocupadamente riam e comiam figos. Crianças, acreditando ainda em contos de fadas, onde a vida é sempre  justa e simples, as pessoas francas e frontais, não se deixando iludir e manipular por ventos e marés, e que valores, tais como a lealdade, confiança, amor, etc. movem o mundo.

domingo, 27 de outubro de 2013

Maracujás

Passiflora molíssima
       Pertencente à família Passifloreaceae, o género Passiflora abarca cerca de 500 espécies. A maioria são do continente americano, todavia 20 são do continente asiático e australiano. Tipicamente são trepadeiras apresentam lindas flores e folhas trilobadas, serradas.
       Segundo Jardim & Menezes de Sequeira (2008), na ilha da Madeira existem 5 espécies, Passiflora molissima (Kunth) L.H. Bailey, que tornou-se numa espécie invasora,  Passiflora caerulea L., Passiflora ligularis A. Juss, Passiflora subpeltata Ortega, e Passiflora edulis Sims, todas elas com frutos comestíveis.
        Na ilha da Madeira, apenas a última era usada como medicinal, nomeadamente  para o estômago, intestinos e fígado (infusão da planta). Sendo ainda utilizada como eupéptica, que facilita a digestão, ou empregue contra o cancro de intestinos, devendo o indivíduo segundo a sabedoria popular, ingerir muitos frutos. 
Passiflora edulis, fonte: http://odandy.blogspot.pt
       A polpa do fruto, é ainda utilizada em sobremesas, sumos, poncha, etc. Cabe à imaginação de cada um usá-la, copiando receitas integrais de outrem, ausente de qualquer criatividade e seguindo meramente o  percurso comum, ou guiando-se  pela doce intuição, algumas vezes certa, outras vezes não, só o tempo dirá.
      Tal como na vida, a elaboração de uma boa sobremesa, neste caso um delicioso cheesecake requererá 500 g de paciência, 150 g de amor, 135 g de respeito, 5 folhas de compreensão, e por fim 3 /4  de intuição. Acrescente-se ainda atenção, para que ninguém mexa no creme alheio, não dar ouvidos a palpites  maliciosos e/ou perversamente angélicos,  perguntar a quem de direito. Colocar no forno durante 45m e deixar crescer. Por fim, acrescentamos a polpa de maracujá,  e confiando que as quantidades estejam acertadas, teremos um belo cheesecake, se não, ratificamos quantidades e tentamos de novo, em busca de algo que valha apena.
Receita: pela ordem referida - queijo fresco, açúcar, aproximadamente 3 ovos, gelatina, maracujás.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Gengibre

     Esta planta vivaz, Zingiber officinale Roscoe, segundo se sabe, é uma introdução recente na ilha da Madeira. Pertencente à família das Zingiberáceas é originária do Oriente, nomeadamente da Índia e China.
    Os primeiros registos do uso desta espécie são de Confúcio,  filósofo chinês (551 a.C. - 479 a.C.), que proferiu entre outras, as seguintes frases intemporais: "A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído" ou ainda "Coloque a lealdade e a confiança acima de qualquer coisa; não receies corrigir teus erros".
    Através dos árabes, esta espécie chegou aos impérios grego e romano, que a usaram como condimentar e medicinal; mais tarde foi também apontada por Dioscórides e Plínio, que associaram o seu cultivo à Arábia e Somália. Foi mencionada também, no livro "Mil e Uma Noites" pelas suas supostas propriedades afrodisíacas, no século XIV na Inglaterra era já tão comum, como a pimenta.
     Atualmente, a Índia é o maior produtor desta planta; e estudos farmacológicos revelaram que possui propriedades digestivas, carminativas (impede a formação de gases no aparelho digestivo), sudoríficas e na Índia referem que tem efeitos afrodisíacos.
     Na ilha da Madeira, não são referidas utilizações pela população em registos mais antigos, hoje, em contexto urbano, concelho do Funchal, o rizoma é usado na culinária e em chá para gripe.
    No Verão, costumo usar a planta para preparar uma bebida refrescante, num jarro raspo parte do seu rizoma, adiciono sumo de limão (Citrus limon), uns raminhos de hortelã pimenta (Mentha piperita) e uma bebida gaseificada (água, 7Up, etc). No fim do dia, acompanha-me o pôr do sol, um copo meio cheio, a tranquilidade de uma escolha consciente, comprovada pelo tempo, e a certeza que só podemos ir até meio percurso, o restante, e óbvio, deverá ser realizado por outrem, sem véus ou tretas, seguindo apenas o que sente.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Bálsamo, babosa ou aloe

       Conhecida no Antigo Egipto à 2000 anos a.C, esta planta suculenta também chamada de lírio do deserto é  típica de ambientes xerófitos. Aloe vera (L.) Burm.f. é nativa de Africa e pertence à família das Liliaceae.
     Alexandre o Grande teve conhecimento desta planta, após ter conquistado o Egipto em 332 a.C., que seguindo o conselho de Aristóteles, mandou invadir a ilha de Socotorá, onde esta espécie crescia. Pretendia assim, assegurar "uma panaceia a mãos de semear" para o bravo soldado, ferido das duras e infrutíferas batalhas.
       Nos dias de hoje, o tempo, paciência e  genuíno prazer em cultivar e mimar a própria panaceia, escasseia, como tal as que restam são as facilmente adquiridas nos locais do costume. Estas são perfeitas para o superficial efeito pretendido, e amplamente difundido, todavia importa lembrar, que  "o verdadeiro bálsamo" reside nas células  do parênquima (mais interiores), donde é retirado o gel utilizado à milénios, e que deve ser claramente distinguido do látex (amarelo e altamente purgativo) proveniente de células mais exteriores, logo abaixo da parede da folha. Para isso, há que retirar os espinhos, observar para além das primeiras células e pretender extrair somente o gel, não ambos, só assim e por fim, obteremos o verdadeiro bálsamo. 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Salva

      A salva ou Salvia officinalis L. é nativa do norte do mediterrâneo, todavia encontra-se cultivada por toda a Europa e América do Norte. Era conhecida como medicinal já na Antiga Roma, sendo mais tarde, século XVI, cultivada nos jardins dos mosteiros beneditinos.
       A salva caracteriza-se pelas suas folhas oblongas e pela inflorescência em verticilastro, as flores são típicas da família Labiatae de cor lilás a azul. Floresce no Outono e é conhecida pelo aroma forte, que lembra uma mistura de hortelã e cânfora, talvez por isso seja usada para perfurmar roupa e afastar as traças.
     Na ilha da Madeira, o chá da planta é usado como emenagogo, tónico, estomático, para aliviar bronquite, tosse e defluxos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Pessegueiro - inglês, Berbina

Aloysia citriodora Palau      
 
Introduzida na Europa no século XVIII por exploradores espanhóis, esta planta nativa da América Central e Sul, pertence à família das Verbenaceae. Arbusto que pode atingir os 3 m de altura, apresenta folhas lanceoladas, aproximadamente 3 por nó e uma panícula terminal com flores brancas.
Ambas, folhas e flores libertam um doce aroma a limão, em locais distantes deste minúsculo ponto no Atlântico, ilha da Madeira, é usada para aromatizar peixe, aves, doces e pudins, cá é ingerida como bebida refrescante no Verão ou chá quente e aconchegante no Inverno. Segundo relatos orais recentes e registos bibliográficos mais antigos, apresenta algumas aplicações medicinais, tais como calmante, sonorífera, em problemas cardíacos e gripais.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

     A Erva-gigante ou Gigante (Acanthus mollis) é uma planta originária do Mediterrâneo, introduzida na ilha da Madeira  à algum tempo. É espontânea em Portugal Continental e nos Açores, na ilha da Madeira está naturalizada, surgindo acima dos 700 mts na costa sul.
     Esta planta era utilizada como ornamental e medicinal. As suas utilizações medicinais eram essencialmente para uso externo, nomeadamente para a desinfeção e cicatrização de feridas onde eram aplicadas as folhas esmagadas. Para  furúnculos, segundo relatos orais e a pouca bibliografia existente, as folhas eram esmagadas e presas com uma faixa de tecido limpo durante algum tempo até que este rebentasse.
      Hoje, tal como muitas vezes reflito sobre as estranhas utilizações de várias ditas plantas medicinais, ressalvando no entanto, que algumas destas poderão de facto ter alguma aplicação e fundamento,  necessitando apenas de estudos científicos que as comprovem...
     Apesar de considerar, que estas inacreditáveis aplicações  são fruto na maior parte dos casos, do conhecimento passado através de gerações e que são  dignas de registo pois são elementos importantes da nossa cultura madeirense. Comove-me, sempre que leio ou oiço um relato destas utilizações "estranhas" pois estas refletem de forma crua e  triste as épocas de carência, de fraco desenvolvimento e muitas vezes a angústia de uma população, que tudo usava e experimentava para tentar curar as suas maleitas...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Borragem

      A borragem ou Borago officinalis  é originária do mediterrâneo atinge aproximadamente os 60 cm de altura, e possui folhas ovais a oblongas, pubescentes e flores de cor azul intenso.
Ao longo da história tem sido usada para atrair as abelhas e dar sabor ao mel, bem como utilizada na medicina tradicional.
      Na antiga Roma, os jovens soldados  tomavam-na para obterem coragem e ânimo, na época dos Cruzados era servida flutuando numa bebida para  o mesmo propósito. Esta herbácea, anual  é ainda utilizada na medicina tradicional e na culinária. As suas folhas frescas  são ricas em vitamina C, cedem um óptimo sabor a saladas, sopas, queijo fresco ou simplesmente são ingeridas após terem sido salteadas em azeite e alho.
     Na ilha da Madeira foi introduzida e cultivada para fins medicinais e melíferos, hoje é subespontânea surgindo em aterros, terras cultivadas ou beiras de caminhos. Segundo alguns trabalhos etnobotânicos realizados, o seu chá é ainda usado para constipações e para a má-circulação...


Foto retirada daqui

 

terça-feira, 27 de março de 2012

Segurelha

Thymus vulgaris
A segurelha é possivelmente uma das mais utilizadas plantas aromáticas da Europa, sendo já usada na Antiga Grécia para perfurmar a água dos banhos e ainda queimavam-na nos templos para eliminar as "criaturas venenosas"... Os romanos cultivavam-na ao pé das colmeias para dar sabor ao mel, bem como usavam-na nos queijos e licores. Atualmente, é um dos vários componentes do licor Benedictine.
Na culinária é adicionada aos ensopados, em sopas, pratos de peixe, carne, assim como adicionada nos pickles com azeitonas.
Na ilha da Madeira, esta herbácea é muito utilizada na culinária e como medicinal. Segundo trabalhos etnobotânicos realizados em algumas zonas rurais da ilha, o seu chá junto com Rosmarinus officinalis (alecrim) e Laurus novocanariensis (loureiro); ou esta mistura com dentes de alho, rodelas de limão e vinho ou ainda Thymus vulgaris, Laurus novocanarienis, Cinnamomum zeylanicum (caneleira), dentes de alho (Allium sativum) e vinho eram utilizados para a gripe. Para dores menstruais foi apontada a ingestão de um copo de vinho fervido com um raminho Thymus vulgaris. Para as vacas após ao parto, foi também referido uma porção de vinho fervido com Thymus vulgaris e Cinnamomum zeylanicum.
São inúmeras as suas utilizações... neste pequeno canto do atlântico.