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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Documentário: Semente - A História por Contar

 No documentário, "Seeds - History Untold", é desvendado que as sementes tiveram um papel fundamental na história da alimentação e que a sua protecção  é fulcral para o futuro da sobrevivência humana. Vitais desde o início da Humanidade, este documentário menciona o papel daqueles que protegeram este legado alimentar e cultivaram-no em terrenos férteis desde o início da história da agricultura. No século passado, entre 70 a 90% das variedades de sementes desapareceram, não esquecendo a grande maioria, ainda não descoberta pelo Homem devido à perda de habitats. Hoje, à medida que as empresas de biotecnologia controlam a maioria das sementes, agricultores e cientistas, travam uma luta para defender parte do futuro da alimentação humana. 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Tremoceiro

       O mês de maio, tem o seu nome devido a Maia, de acordo com a mitologia grega, uma de 7 irmãs, filhas de Atlas e Plêione, que para que escapassem ao gigante Órion, Zeus transformou-as num aglomerado de estrelas, as Plêiades, incluídas na constelação de Touro.
      Por cá, ilha da Madeira, mês de maio é mês de sol, começa a cheirar a Verão, iniciam-se os banhos de mar, a leitura na praia acompanhada por uma Coral (mini) e alguns tremoços, temperados com alho (Alllium sativum), salsa (Petrosilium crispum) e pimentão (Capsicum annum).
     Estas apetecíveis sementes, ricas em vitamina E e B pertencem à espécie Lupinus albus L., família Fabaceae, onde estão incluídas as ervilhas, o feijão, as lentilhas, entre outras. A planta de onde crescem é originária da Península Balcânica, podendo atingir os 60 cm, as folhas apresentam folíolos oblongos, obtusos a arredondados no ápice com pêlos na página inferior. A sua corola é branca, tingida de azul e a vagem atinge, aproximadamente, 50 mm de comprido.
     Na Madeira, tal como noutras partes do mundo, o tremoceiro é usado na agricultura para ajudar a enriquecer o solo com azoto, preparando-o para receber novas plantas e simultaneamente ofertando a população com tremoços, antigamente só comidos na época da Páscoa. Estes, em algumas zonais rurais da ilha, tinham ainda aplicações medicinais e veterinárias, moídos serviam de cataplasmas em inflamações; e a sua decoção usada para remover piolhos de cabras e aves. Refletindo sobre a última utilização, questiono-me, este uso não teria sido uma boa alternativa para novas utilizações.
Foto 

domingo, 2 de março de 2014

Feiteira

   Neste pequeno universo insular, 760 km2 de orografia íngreme e agreste, outrora de vegetação exuberante, hoje repleto de frondosas acácias (Acacia sp.), cativantes pinheiros (Pinus sp.), elegantes eucaliptos (Eucalyptus globulus), e esbeltas canas vieiras (Arundo donax), que por enquanto, iludem a visão do turista mais distraído ou míope, enredos cómicos elaboram-se e vendem-se.
   Na nossa região, tal como a feiteira [Pteridium aquilinum (L.) Kuhn], pteridófita muito comum na ilha, o espírito de competição abunda, o espírito de camaradagem e partilha dilui-se. A inexistência de partilha de informação ou conhecimento é real e concreta, ensina-se, imprime-se e perpetua-se através de gerações. A mentalidade do ilhéu revela-se por vezes, pequena e fechada, pouco fazendo para mudar, excepto raras excepções. No entanto, espera-se assim, que tal como a feiteira (família Hypolepidaceae), de rizomas extensos, frondes triangulares a ovadas e pêlos acastanhados, esta forma de estar no mundo, restrinja-se às serras e terrenos incultos.
   Mas o pouco de uns, torna-se o muito de alguns, e o anseio de reconhecimento é grande, sanguinariamente desejado, intestinalmente concentrado. Inventam-se histórias, criam-se boatos, mas até para isso há bom remédio, visto que a época é de penúria para alguns, semelhante a outros tempos, em que triturava-se o rizoma da feiteira para fazer papas e pão para saciar a fome, sugere-se para o ego, a pasta de celulose reciclada...
     Por aqui, mantém-se uma consciência limpa, o sentimento de tranquilidade e de esperança por novos tempos, com mais frontalidade, franqueza e partilha.
Fonte

sábado, 4 de janeiro de 2014

Abacateiro, Pereira - Abacate

     O abacateiro, Persea americana Mill., irmão do vinhático Persa indica (L.) Spreng., pertence à família Lauraceae, da qual fazem também parte, o til, barbuzano e o loureiro, os principais representantes da floresta Laurissilva.
  É uma das mais antigas espécies, mesoamericanas, domesticadas. O fruto, abacate (nome derivado de ahuacatl, "testículo" em Nahuat),   é rico principalmente em vitamina E e  potássio, possuindo ainda as vitaminas B6 e C. Hoje, pelo que sei, existem três variedades que resultaram do processo de domesticação por diferentes grupos locais e adaptações a distintos climas. A Persea americana var. drymifolia (abacate do México) com frutos pequenos, epicarpo fino, preto arroxeado;  a  var. guatemalensis, (abacate da Guatemala) de epicarpo rugoso; e a var. americana adaptada a regiões mais baixas dos trópicos, mais húmidas, com frutos arredondados a periformes, mesocarpo carnudo e epicarpo fino.
       Na ilha da Madeira, esta espécie pode atingir os 20 metros de altura, tendo sido introduzida para fins alimentares. Todavia, a população também a usa como medicinal, nomeadamente, a infusão das folhas para dores de cabeça, estômago, reumatismo, fígado e rins, sendo ainda empregue em cistites.     
       Grandes, médias, pequenas, lisas ou rugosas consoante a variedade, as pêras-abacates são um dos frutos mais apreciados na ilha da Madeira. Com açúcar, sal ou mel de abelhas, na salada de alface, com camarão, no pão ou saboreada por si só, implica apenas que saibamos o que precisamos, que muitas vezes, nem é o que gostamos...
No meu caso, gosto de pêra-abacates doces e amanteigadas, ricas em vitamina E, simples, sem confusões ou variedades à mistura,  ideais para iniciar bem o dia, afagando o estômago e a alma...