domingo, 14 de junho de 2015

Nuvens baixas no Curral


Aconteceu que o último passeio domingueiro, neste caso no feriado de 10 de junho, foi ao Curral das Freiras. E que belíssima broa de castanha na padaria local. Mas os campos repletos de flores branquinhas, foram de facto a surpresa.



Para uma aprendiz de botânica, logo se pôs a questão de identificar tal beleza em nuvem baixa: uma apiácia completamente desconhecida. Mas tão frequente, haveria de ser possível identificar. Um redopio pelo Flora-on (preciosa ajuda)... O Coutinho (Flora de Portugal, 1939) só me levou ao género. E chego a uma conclusão: Torilis arvense, com muitas dúvidas, que esta matéria, como muitas outras, não se compadece da falta de um guru. Também faltaram os frutos maduros, mas se calhar já não era tão grande a surpresa branca.

Torilis arvensis.

Torilis arvensis, fruto não maduro.



terça-feira, 2 de junho de 2015

Cabeleira de Coquinho


Lotus loweanus Webb & Berthel.





Uma endémica exclusiva do Porto Santo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Poesia

Cerejeira em flor (Prunus sp.)
Espelho

E eis que do tronco
rompem-se os brotos:
um verde mais novo da relva
que o coração acalma:
o tronco parecia já morto,
vergado no barranco.

E tudo me sabe a milagre;
e eu sou aquela água de nuvens
que hoje reflecte nas poças
mais azul seu pedaço de céu,
aquele verde que se racha da casca
e que tampouco ontem à noite existia.

Salvatore Quasimodo
Fonte

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Jasmim

                 J. azoricum
  Nas caminhadas, cada vez mais raras, para além das cores intensas, do frio da manhã, invade-nos um agradável cheiro  a jasmim, que por breves instantes faz-nos esquecer de tudo o resto... 
Segundo Press & Short (1994), na ilha da Madeira existem três espécies de jasmim [Jasminum grandiflorum, Jasminum azoricum L. (end. Mad.) e Jasminum odoratissimum L. (end. Mac.)] todos pertecentes à família Oleraceae, ou seja parentes da oliveira - Olea madeirensis (Lowe) Rivas Mart. & del Arco, (end. Mad.). Todavia, o inicial  J. azoricum (jasmim branco) imaginado revela-se sob um olhar mais atento, um jasmim de estrela, Trachelospermum jasminoides (Lindl.) Lem. igualmente bonito, mas originário da Ásia e de uma família botânica completamente diferente, Apocynaceae...
T.  jasminoides
   Entre dezenas de espécies existentes para este género, torna-se necessário uma boa chave dicotómica, persistência e uma boa dose de paciência,  para que nos ajudar a distingui-las...
J. odoratissimum 
    
Ref.: Press J.R., Short M.J., 1994. Flora of Madeira. The Natural History Museum, 574 pp. 
End. Mad. - endemismo da ilha da Madeira; End. Mac. - endemismo da Macaronésia

sábado, 18 de abril de 2015

Girassol mexicano 


Tithonia diversifolia


A invadir "silenciosamente" as zonas baixas da Madeira. Vimo-la pela primeira vez nos jardins da Universidade da Madeira. Depois, escapada de cultura nas zonas limítrofes. Pode agora ser encontrado em Santa Cruz, no Garajau... 

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Geranium maderense Yeo




Não é todos os dias que nos floresce uma endémica no quintal.
Algumas flores parecem ser só femininas. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Pelo caminho...

Nas caminhadas matinais ou em passeios ao fim do dia, acabamos por encontrar diversas plantas. Neste sentido, e esperando dar um novo sopro de ar fresco, a este recanto um tanto esquecido, colocaremos uma vez por mês, fotos de espécies botânicas existentes na ilha da Madeira...

Ipomoea ochraceae (Lindl.) G. Don

  Nativa da África, esta pequena corriola de flores amarelas da família Convolvulaceae está naturalizada na ilha da Madeira, tendo sido introduzida com intuitos ornamentais. Podemos encontra-la em terrenos incultos ou em zonas rochosas sobranceiras da cidade do Funchal.   

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Congresso Internacional de Etnobotânica 2014



  Neste congresso, Portugal fez-se representar por vários investigadores, entre os quais, Ana Maria Carvalho (Instituto Polit. Bragança - Esc. Sup. Agrária), Amélia Frazão-Moreira (FCSH-UNL), Luís Mendonça de Carvalho (Inst. Politécnico de Bragança), respectivos orientandos: Ana Ester Santos (ISA-UL), entre outros. Assim como, foi apresentado um estudo etnobotânico relativo à ilha da Madeira.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Radar Meteorológico do Porto Santo vai atingir zona de grande diversidade em líquenes



No Espigão, no Porto Santo, há uma enorme diversidade de líquenes. É com muita tristeza que vemos anunciado para ali a construção do novo radar meteorológico





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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Os citrinos

    A família Rutaceae apresenta 160 géneros, nestes estão incluídos os citrinos, primos da arruda (Ruta sp.). O género Citrus sp. é proveniente do sudoeste da Ásia, com  cerca de 16 espécies, que nos concedem as laranjas doces (Citrus sinensis) ou amargas (C. aurentium), as tangerinas (C. reticulata), o cidrão (C. medica), as limas (C. aurantifolia) ou limões (C. limon), entre outras. Considerados um dos géneros mais importantes do mundo, os citrinos surgem pela primeira vez, em registos históricos persas em 300 A.c. Na Europa, são introduzidos na Época dos Descobrimentos, sendo posteriormente levados para o "Novo Continente" pelos espanhóis. 
    O limão é o citrino com maior número de aplicações médicas comprovadas cientificamente. Na ilha da Madeira, o conhecimento popular menciona-o para várias maleitas desde gripe (infusão da casca), a garganta inflamada (rodelas polvilhadas com açúcar e ingeridas), a varíola (esfregar o sumo sobre área afectada), a disenteria (ingestão de sumo com canela em pó, duas colheres de sopa de vinagre e açucar), etc... Para além, de todos estes  usos é utilizado na culinária ou ainda associado a tradições / superstições. 
   De todos citrinos, o limão e a laranja, são os mais utilizo, esta última como fonte diária de vitamina C e o limão, como matéria prima para um sumo refrescante ou para uma infusão nos dias quentes ou frios, respectivamente. Assim sendo, e aproveitando o resquício das férias, após a praia e antes do jantar, faço um sumo, dois limões, duas a três fatias de abacaxi, duas folhas de hortelã, não esquecendo a água... dois cubos de gelo, ideal para refrescar. Recordo-me então, de um velho ditado: "quando a vida te dá limões, faz limonada", seguro no copo e dirijo-me à varanda, levando tranquilamente, um pequeno livro de bolso das edições Asa, que muito prezo e me acompanha: "Histórias de Mulheres"...