sábado, 6 de fevereiro de 2021

Especiarias - Canela

   O comércio e o uso das especiarias pelo Homem não pode ser datado com certeza. Os egípcios no III d.C. usavam já as mesmas nas suas técnicas de embalsamento, a maioria do Mediterrâneo e Médio Oriente. Na época dos impérios romanos e gregos já estavam bem estabelecidas a rotas das especiarias através da Ásia, a mais conhecida era a Rota da Seda que ia da China ao Golfo Pérsico. Controlada pelos Árabes trocava canela, gengibre, seda e outras especiarias por várias populações. Os romanos importavam-nas e eram havidos consumidores, traziam-nas por Alexandria e Constantinopla, todavia após a queda desta civilização o comércio das mesmas voltou para os Árabes. 

No século XV, os portugueses controlavam já a uma parte da produção e comércio das especiarias através da Ásia. 

A canela, Cinnamomum zeylanicum Garc. Ex. Blume, pertence à família Lauracea, nativa da Ásia introduzida na ilha da Madeira, aqui tem diversas utilidades medicinais (dores menstruais, gripe/constipações, infusões após parto) e aromáticas. Para  dores menstruais foi mencionado o chá da mesma com segurelha (Thymus vulgaris) ou um cálice  uma infusão em aguardente (borra de vinho) de uma das seguintes misturas: madrelouro (Laurobasidium laurii) e pau de canela, ou de cascas de limão (Citrus limon), pau de canela e mel de abelhas.  



segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Jervão, Urgebão

         Da família das Verbenaceae, a Verbena officinalis L. é uma planta já utilizada à vários séculos. Os romanos utilizavam-na para purificar os alteres e as casas, sendo ainda mencionada em obras da Antiguidade Clássica. É ainda, consagrada a Ísis, deusa das plantas medicinais e a Vénus, sendo associada ao amor desde tempos imemoriais. Foi ainda, designada de "Persefonion" planta da Persefone. Na Toscânia era apelidada de demetria, "planta de démeter" ou bounion "planta de Hera e Juno".

São inúmeras as utilizações da planta, para os druidas é uma planta sagrada pois propicia a Inspiração Divina, o Awen. Referida para reduzir o fluxo menstrual, possui efeitos calmantes e é ainda utilizada para proteção da casa pois potencia a prosperidade, por isso era usada em "rituais iniciáticos druidas". 

Na atualidade e na ilha da Madeira é designada por jervão ou urgebão, facilmente confundida com Verbena bonariensis L., mencionada como planta de propriedades medicinais pela população. Ambas plantas, são encontradas nas margens dos caminhos ou terrenos baldios. 

A Verbena officinalis é utilizada, segundo a medicina popular, para a falta de apetite, fígado e rins sendo ingerida a infusão das folhas. É usada  ainda para o mau-olhado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Papaeira

     Originária dos Andes, a papaeira (Carica papaya, L.) é uma das plantas mais conhecidas das regiões de climas tropicais. Na ilha da Madeira,  foi introduzida como alimentar e cultivada junto ao litoral. Pertencente à família Caricaceae, esta herbácea atinge 2 a 5 metros possui folhas recortadas, flores brancas a esverdeadas e frutos alaranjados aromáticos, o ano inteiro. Nas suas folhas e caule, segrega uma substância esbranquiçada. Em diferentes locais, designa-se "papaia" aos frutos redondos e "mamão" aos frutos alongados.

      No século XVI chegou ao Brasil, existindo referências que os espanhóis levaram-na para o Oriente via Pacífico, introduzindo-na nas Filipinas, e mais tarde atinge à Índia. Pela mão dos portugueses chega à África, sendo rapidamente difundida pelo mundo. A sua capacidade anual de frutificação nas regiões tropicais leva, a que seja uma presença assídua nas mesas de todas as classes sociais. 

     Na ilha da Madeira é usada para fins alimentares e medicinais, sendo que o chá das folhas facilita a digestão, tal como a ingestão do fruto.

Sabias que?

    Para a carne de caça ficar mais tenra deverá ser envolta em folhas frescas, presas por um cordel pois a mesma possui um látex, que ajuda a "atenrar" a mesma.

sábado, 7 de novembro de 2020

Aipo

 O aipo faz parte da família Apiaceae, a espécie Apium graveolens é originária da região Mediterrânica.  O nome significa: Apium - "cresce dentro água" e Gravis+olens - "tem forte odor"; conhecido por celeri na Lombardia ou sédeno na Toscana. Em inglês, distingue-se o caule como celery e bolbocomo celeric. 

Os historiadores apontam a Odisseia de Homero, como a primeira referência ao aipo, refere "selinon" sob a influencia da Lua. O mesmo autor, refere a planta como afrodisíaca. Outros autores gregos, referem o seu uso em funerais, a preencher as coroas de flores, e nos jogos pré-helénicos era usado para aromatizar o vinho dos atletas. Plínio, autor clássico romano (I séc. d.C.) menciona que os atletas vencedores dos jogos Nemeus (séc. VI a.C.)  recebiam uma coroa de folhas de aipo selvagem. A cidade mais ao ocidente da Antiga Grécia fundada em meados do século VII a.C., teve o seu nome Selinunte proveniente da palavra selinon (aipo selvagem).

Sabias Que?

Gregos e romanos, consideravam a planta: "um estimulante erótico e de virilidade".  Durante a Idade Média, o seu uso era mais ornamental, do que gastronómico. Além do forte aroma, o sabor dos talos era amargo; sendo que apenas no século XVI foi aperfeiçoada a espécie e eliminaram o sabor amargo. Atualmente, existem duas espécies de aipo, o convencional (var. dulce) e o aipo-nabo (var. rapaceum). 

Alfazema

        O género Lavanda sp. é pertencente à família Labiatae, sendo este género espontâneo do Mediterrâneo. Existem 25 espécies de alfazema cerca de 200 variedades, a mais usada é a Lavandula angustifolia L.  Na Bíblia, aparecem diversas referências sob o nome de nardus pois os gregos pensavam que era originária da cidade da Síria de Naarda. Na Antiga Roma, usavam-na para banhos e relaxar, lavare ou "acto de lavar", palavra que posteriormente deu origem ao latim lavandaris ou "coisas de lavar",  donde originou a palavra "lavanda". Plínio, autor clássico romano ( I séc. d.C.) recomendava a planta para enxaquecas e dores menstruais, onde um quilo de flores chegava a 200 denários (moeda romana na origem da palavra dinheiro). De forma, a compreender o seu valor, o mesmo autor mencionava que, um soldado romano na época ganhava cerca de 250 denários. Para além das infusões para banhos, a alfazema está associada a produtos para perfumar o ambiente, o seu aroma intenso afasta a maior parte dos insetos; sendo usada também em lavagens de roupa ou junto ao leito dos enfermos. 

        Sabias que? É também usada na gastronomia para aromatizar compotas, gelados, chás ou vinagres. As abelhas são dos poucos insetos que pousam  nas suas flores lilases e ao recolherem a sua seiva produzem um mel floral mais aromático e invulgar. No arquipélago da Madeira, encontramos as espécies Lavandula pinnata L.; Lavandula viridis L´Her; Lavandula pedunculata (Mill.) Cav. 
                                                                                 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

"The Laurisilva - Canaries, Madeira and Azores"

       Editado pela Macaronesia Editorial, o livro "The Laurisilva - Canaries, Madeira and Azores" (2017) aborda conhecimentos relativos aos arquipélagos macaronésicos, nomeadamente, a sua origem, clima, história e evolução da paisagem. Faz ainda, referência à floresta Laurissilva no mundo e descreve em pormenor este tipo de floresta, bem como a fauna, nível de regeneração, a sua dinâmica florestal e impacto humano nesta zona do Atlântico, a região biogeográfica da Macaronésia. 




"Plantas Aromáticas e Medicinais em Contexto Urbano - Saberes Madeirenses no Concelho do Funchal (Ilha da Madeira)"

   Resultados de uma investigação realizada em contexto rural e mais tarde em urbano, no âmbito de um mestrado em Antropologia na vertente Natureza e Conservação, nesta publicação comparou-se os conhecimentos relativos à utilização de plantas aromáticas e medicinais em meio rural [duas freguesias da ilha (Fajã da Ovelha - concelho da Calheta e Ilha - concelho de Santana)] com o meio urbano (concelho do Funchal), verificando se há acréscimo, perda ou hibridação de saberes. Comparando os dados obtidos verificou-se que existe perda de conhecimento etnobotânico aquando de fluxo migratório de um meio rural para o urbano, bem como incorporação de novas espécies vegetais em contexto urbano.

Estão disponíveis livros para venda. 
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quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Figueira

   A figueira (Ficus carica L.) é nativa do sudoeste asiático, no arquipélago da Madeira foi introduzida nos tempos do povoamento sendo cultivada um pouco por toda a região. Conhecida por figueira ou bebereira, embora este nome seja aplicado apenas a algumas árvores que produzem frutos maiores e mais compridos que largos, foi introduzida por motivos alimentares. 
   Das árvores mais estimadas desde a pré-história, a sua origem tem traços comuns à oliveira, sendo amplamente mencionada na bíblia. Os sumérios e assírios já se deliciavam com os seus frutos, a sua dispersão iniciou-se no crescente fértil passando pela Síria, Egipto, chegando mais tarde ao Mediterrâneo. Foram os egípcios que aperfeiçoaram o seu cultivo. Na antiga Grécia, associavam-no à região de Caria, o que inspirou o nome botânico de Ficus carica. Era considerado uma fonte de energia sendo apelidado de "alimento dos atletas".  Em VII a.C., na primeira edição dos Jogos Olímpicos, os vencedores eram coroados com folhas de figueira e não louro. No império romano, cultivou-se e desenvolveu-se mais variedades de árvores.

Sabias Que?
     Na Grécia Antiga, os padres mais jovens tinham a tarefa de anunciar a época de colheita de figos. Chamavam-nos de sykophántes, do grego syko "figo" e pháenein "mostrar". Os frutos eram valiosos, mas havia quem os comercializava clandestinamente, os que denunciavam os contrabandistas eram apelidados de "sykophantes" ou denunciadores de figos. A expressão resistiu aos tempos.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Alperceiro

          O alperce (Prunus armeniaca) é o fruto do alperceiro e pertence à família Rosaceae. O nome botânico remete erradamente para a origem arménica da árvore pois sabe-se, que surgiram de forma espontânea na Ásia.  A sua domesticação foi feita pelos Chineses onde está mencionado nos seus registos milenares. O pequeno fruto já era consumido à cerca de 4000 anos e durante 2000 anos foi cultivado na Índia e Tibete, mantendo-se no anonimato até ao século II a.C. Foi através da Rota da Seda, que os comerciantes trouxeram o alperce para o Irão, Arménia e até à época Grego-romana. No século I a.C. o general  Lucullus, orgulhoso por cultivar exóticos frutos traz a árvore para Roma. É nesta altura, que o alperce fica conhecido como praecoquuem, expressão latina que significa "fruto precose" devido ao amadurecimento rápido. 

Sabias que?
      A chegada à península ibérica motivou a adopção do nome albrioque em português, que acabou por não fixar-se. O seu perfume inconfundível deve-se ao facto de pertencer à família Rosaceae, e por ser muito sensível é quase sempre consumido seco ou cristalizado. É na Turquia e na Grécia, que se encontra as variedades malaya e urgub.

domingo, 19 de julho de 2020

Aveleira, avelãzeira

       Árvore arbustiva que atinge  a maturidade produtiva aos 10 anos e termina o ciclo aos 60 anos. Pertence à família Betulaceae, as aveleiras selvagens remontam o Império Bizantino, mas essa região nunca tinha apostado na cultura em grande escala  de espécies domesticadas. 
A árvore de forma espontânea crescia na zona mediterrânica, e diz-se que extensos bosques com inúmeras aveleiras frutificavam no sopé do Vesúvio e nos arredores da cidade de Avella. Todavia, a descoberta da avelã já vinha dos gregos que a chamavam de nux ponticus devido às primeiras aveleiras serem provenientes da Ásia Menor. 
Dioscórides e Plínio o Velho relatam nas suas obras os vários usos dos gregos e romanos, nomeadamente, utilizações medicinais para curar problemas de estomâgo, tosse e queda de cabelo. 
A província italiana e  cidade Avella parece estar na origem do nome botânico Coryllus avellana. A palavra grega kory significa "elmo" foi buscar a semelhança da casca oblonga da avelã, parecida com um capacete que serviu para inspirar o nome corylus. 

Sabias que?
         Em Roma, servia de digestivo após o jantar a acompanhar o vinho. Fazia-se farinha e óleo de avelãs que era usado em essências perfumantes. Nos casamentos romanos, há noite acendiam-se tochas feitas de pau de aveleiras para os nubentes, que simbolizam fertilidade e contribuíam para o sucesso do matrimónio.