terça-feira, 21 de julho de 2026

Massaroco


   O Homem à milénios que recolhe plantas do ambiente que o rodeia para   curar as sua maleitas. O arquipélago da Madeira não foi exceção, local onde o camponês obteve plantas endémicas, introduzidas e autóctones, facto que torna desafiante descortinar a origem deste conjunto de conhecimentos. A  utilização de plantas introduzidas deve-se provavelmente, à importância da ilha no século XV, como centro geográfico para as travessias transatlânticas resultando na introdução de plantas e saberes de diferentes locais. E mais recentemente devido a fluxos migratórios para Venezuela, Brasil, África do Sul e Reino Unido com possíveis retornos, que proporcionou novos conhecimentos. Este pressuposto foi confirmado por estudos mais recentes, que comprovaram que as plantas medicinais mais usadas na ilha são as introduzidas. Mas, e as plantas autóctones e endémicas porque foram e são utilizadas? O seu uso pensa-se que deve-se possivelmente à experimentação por tentativa e erro devido a similaridades morfológicas e/ou odoríficas com outras plantas já manuseadas. 
     Ora, uma dessas plantas é o massaroco, Echium nervosum Dryand, endemismo da Madeira, Porto Santo e Desertas. Um arbusto perene da família Boraginaceae, que surge nos terrenos e escarpas rochosas do litoral da ilha entre os 0 e 300 m de altitude. Pode atingir os 2 m de altura, apresenta folhas lanceoladas cinzento-esbranquiçadas e uma inflorescência paniculada, densa, com flores azul pálidas.  Ornamental foi também utilizada pelos camponeses para fins medicinais, em especial para padecimentos nervosos.           

Sabias Que? Este arbusto era outrora usado para embutidos. 

Fontes:

- Jardim, R., Francisco, D.2000. Flora Endémica da Madeira. Múchia Publicações. Funchal, 339 pp. - Ramos, L. 2019. Plantas Aromáticas e Medicinais em Contexto Urbano - Saberes Madeirenses no Concelho do Funchal (Ilha da Madeira). Lisbon Internacional Press. Lisboa, 139 pp.


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