Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2007

Bálsamo de canudo



Passeando pela Costa Sul da ilha da Madeira encontramos facilmente esta planta: azul acizentada, formada por tubinhos e espreguiçando-se ao Sol por um muro de pedra abaixo. É uma Asterácea oriunda da África do Sul.

Muitos usos lhe são atribuídos pelo Visconde do Porto da Cruz: para anemias, tuberculose, estancar feridas, terçois, etc. Ainda hoje a sua mais famosa utilização na Madeira é como colírio: cortar uma folha e espremer um pingo para dentro do olho inflamado.

Mas quanto a propriedades medicinais, parece sermos os únicos no mundo a atribuí-las (pelo menos no mundo virtual).

Na África do Sul é considerada uma planta venenosa. Já na Nova Zelândia naturalizou-se e, apesar de não formar sementes, espalhou-se pela ilha e tem o estatuto de invasora.

Em inglês chamam-lhe pau de giz azul (blue chalkstick). Alguns madeirenses chamam-lhe também bálsamo sagrado o que vem reforçar o apreço que lhe dedicamos.

Eis algumas receitas referidas pelo Visconde do Porto da Cruz: Contra a anemia beber em jejum um cálice duma infusão desta planta em vinho madeira; Contra a tuberculose, também em jejum mas só o sumo. Há ainda uma outra receita com caracóis inteiros esmagados.

Ainda segundo aquele autor, o sumo do bálsamo de canudo é um bom cicatrizante de feridas e chagas e pode dar alívio a queimaduras.

Para propagar basta enfiar um galhinho pela terra dentro. De preferência num local com muito Sol e muita drenagem e com espaço para cair muro abaixo.

3 comentários:

Anónimo disse...

boa noite gostava de saber onde consigo encontrar esta planta no continente uma vez que foi a unica coisa que me ajudou a tratar os olhos aquando de enfermidades. se podesse indicar possiveis locais ou outra forma de adquiri la agradecia imenso.deixo o meu contacto.obrigado.assuriano@yahoo.com

Fátima Isabel disse...

Olá anónimo. No continente não sei onde pode encontrá-la. Aqui na Madeira é muito frequente, e como se propaga bem, é só "pedir emprestado" um raminho e enfiar num vaso com terra.
Vi uma planta muito parecida no Jardim Botânico do Porto, há 2 anos atrás, mas a identificação que lá tinha era de outro Senécio.
Talvez num desses Garden Centre que tenham plantas suculentas.
Boa sorte.

João Carlos disse...

Acabei de chegar de uma viagem à Madeira. Mais um regresso às minhas raizes, já que os meus ancestrais são da Madeira, mas propriamente do Machico e da Camacha. Adorei essa terra magnifica...
A proposito do "balsamo de canudo" lembro-me de ver a minha avó utilizar essa planta há muito anos em África. Utilizava-a em afeccções oculares. Anos mais tarde voltei a encontrar o balsamo no Alentejo, mas sem utilização prática. No Jardim Botânico do Funchal encontrei essa planta também com duas designações. Senécio e Kleinia Repens.
Gostei muito deste blog... por favor não o deixem morrer. (eu dou uma ajuda...)