terça-feira, 30 de março de 2021

Poesia

Certeza

Sereno, o parque
Mostra os braços cortados,
E sonha a Primavera
Com os seus olhos gelados.


É um mundo que há-de vir
Naquela fé dormente;
Um sonho que há-de de abrir
Em ninhos e sementes.


Basta que um novo Sol
Desça do velho céu,
E diga ao rouxinol
Que a vida não morreu.


Torga, M.

domingo, 28 de março de 2021

Domingo de Ramos

  
   O domingo anterior à Quaresma é o
 Domingo de Ramos, que comemora a entrada de Jesus em Jerusalém. Segundo os populares, ao surgir em portas de Jerusalém, Jesus levava nas mãos ramos de palmeira, Phoenix sp. 
    Neste dia, a população do arquipélago, antes do nascer do sol, recolhe e elabora um ramo de várias plantas, limoeiro (Citrus limon), arruda (Ruta chalepensis), laranjeira (Citrus aurentium), alecrim (Rosmarinus officinalis), entre outras,  que leva para ser benzido na igreja local. Em seguida, o ramo é colocado à sombra para secar e ser guardado, de modo a proteger a casa até ao ano seguinte. Segundo os populares, em situações de mau-estar inexplicado, muitas vezes associado ao mau-olhado deverá ser tomado um "chá" elaborado com um pouco das ervas do ramo benzido. 

Sabias Que? 
      Neste dia, em zonas rurais, a população recolhe ramos de palmeira (Phoenix sp.) e coloca na entrada da casa, relembrando a entrada do Senhor em Jerusalém.  

domingo, 21 de março de 2021

Equinócio de Primavera

  O Equinócio da Primavera surge de 21 a 22 de março, quando a duração do dia iguala a duração da noite. Há um aumento da luminosidade no decurso do ano. Esta luz é indispensável para desenvolvimento das plantas, que adaptam-se, dispersando-se por variadíssimos habitats. Essa adaptação às horas de luminosidade faz com que tenha taxas fotossintéticas, épocas de floração e tonalidades foliares distintas, tais como amarelados, alaranjados no outono e os verdes na primavera e verão.

 Antigamente, o homem viva em simbiose com luz e a natureza, que interferia com seus ritmos biológicos, sem aperceber-se. Hoje é diferente, os horários são impostos pelo trabalho, tecnologias e eletricidade, que ativam os nossos sentidos. Visto que somos seres diurnos, estamos normalmente acordados quando à luz e adormecidos quando está escuro, regulados por níveis de melatonina que sobem e descem durante o dia e a noite, orientando os ciclos de sono. 

Sabias Que?

    A forma exata de ação de melatonina ainda não é compreendida, mas sabe-se que é produzida pela pequena glândula pineal situada no centro do cérebro em resposta à queda dos níveis da luz apercebidos pela retina do olho. Atua sobre os receptores do relógio biológico interno, o núcleo suprequiasmático (NSC) que está a atrás dos olhos, causa lassidão, diminuição da temperatura e outros efeitos fisiológicos.

Dia da Floresta & Poesia

Cada árvore é um ser em nós.
Para ver uma árvore não basta vê-a
a árvore é uma lenta reverência
uma presença reminiscente
uma habitação perdida
e encontrada
À sombra de uma árvore
o tempo já não é o tempo
mas a magia de um instante que começa sem fim
a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas
e de sombras interiores
nós habitamos a árvore com a nossa respiração
com a da árvore
com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses.

Rosa, A. R.

terça-feira, 9 de março de 2021

Moscadeira

         

   A  árvore da noz-moscada ou moscadeira, nome científico Myristica fragans Houtt, pertence à família Myristicaceae. Esta árvore é originária das ilhas do Índico, sendo descoberta pelos portugueses no fim do século XV, comerciando-a durante anos até passar para os holandeses. Mais tarde, é difundida para África, Brasil e Sudoeste Asiático.

De pequeno porte esta planta tem folhas oblongas, flores amareladas e frutos em forma de drupa. Na altura da maturação, o fruto abre-se deixando livre a semente, ovoíde, acastanhada, a noz-moscada ou noz da Índia.  Alguns autores, mencionam que o mesocarpo amarelado sucoso pode ser utilizado para fazer geleias  e outros doces; Clusio por sua vez, refere que a polpa com açúcar era usada para doenças de cérebro, útero e nervos.

Atualmente, sabe-se que o sabor particular e suas propriedades devem-se a um conjunto de compostos trepénicos, o pineno, canfeno, os mais abundantes, e ainda o safrol e miristicina. A planta é muito utilizada na aromatização de diversos alimentos (carnes, molhos, pastelaria, etc.), assim como atribuem-na propriedades estimulantes, carminativas, desinfetantes e afrodisíacas.

Sabias que?

     Hoje a maior produção da moscadeira localiza-se nas Caraíbas. O óleo da noz moscada é rico em miristicina, narcótica, usada na farmácia em pequena escala.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

 "Talvez a beleza das plantas resida na inconsciência que têm dos seus encantos: não se esforçam por agradar, nem por dar nas vistas, nem por serem elogiadas. Simplesmente é a luta pela vida que as torna belas."

Nuridsany, C., Pérennou, M.,1991. Elogio da Erva, Seleções do Reader´s Digest

sábado, 6 de fevereiro de 2021

Especiarias - Canela

   O comércio e o uso das especiarias pelo Homem não pode ser datado com certeza. Os egípcios no III d.C. usavam já as mesmas nas suas técnicas de embalsamento, a maioria do Mediterrâneo e Médio Oriente. Na época dos impérios romanos e gregos já estavam bem estabelecidas a rotas das especiarias através da Ásia, a mais conhecida era a Rota da Seda que ia da China ao Golfo Pérsico. Controlada pelos Árabes trocava canela, gengibre, seda e outras especiarias por várias populações. Os romanos importavam-nas e eram havidos consumidores, traziam-nas por Alexandria e Constantinopla, todavia após a queda desta civilização o comércio das mesmas voltou para os Árabes. 

No século XV, os portugueses controlavam já a uma parte da produção e comércio das especiarias através da Ásia. 

A canela, Cinnamomum zeylanicum Garc. Ex. Blume, pertence à família Lauracea, nativa da Ásia introduzida na ilha da Madeira, aqui tem diversas utilidades medicinais (dores menstruais, gripe/constipações, infusões após parto) e aromáticas. Para  dores menstruais foi mencionado o chá da mesma com segurelha (Thymus vulgaris) ou um cálice  uma infusão em aguardente (borra de vinho) de uma das seguintes misturas: madrelouro (Laurobasidium laurii) e pau de canela, ou de cascas de limão (Citrus limon), pau de canela e mel de abelhas.  



segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Jervão, Urgebão

         Da família das Verbenaceae, a Verbena officinalis L. é uma planta já utilizada à vários séculos. Os romanos utilizavam-na para purificar os alteres e as casas, sendo ainda mencionada em obras da Antiguidade Clássica. É ainda, consagrada a Ísis, deusa das plantas medicinais e a Vénus, sendo associada ao amor desde tempos imemoriais. Foi ainda, designada de "Persefonion" planta da Persefone. Na Toscânia era apelidada de demetria, "planta de démeter" ou bounion "planta de Hera e Juno".

São inúmeras as utilizações da planta, para os druidas é uma planta sagrada pois propicia a Inspiração Divina, o Awen. Referida para reduzir o fluxo menstrual, possui efeitos calmantes e é ainda utilizada para proteção da casa pois potencia a prosperidade, por isso era usada em "rituais iniciáticos druidas". 

Na atualidade e na ilha da Madeira é designada por jervão ou urgebão, facilmente confundida com Verbena bonariensis L., mencionada como planta de propriedades medicinais pela população. Ambas plantas, são encontradas nas margens dos caminhos ou terrenos baldios. 

A Verbena officinalis é utilizada, segundo a medicina popular, para a falta de apetite, fígado e rins sendo ingerida a infusão das folhas. É usada  ainda para o mau-olhado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Papaeira

     Originária dos Andes, a papaeira (Carica papaya, L.) é uma das plantas mais conhecidas das regiões de climas tropicais. Na ilha da Madeira,  foi introduzida como alimentar e cultivada junto ao litoral. Pertencente à família Caricaceae, esta herbácea atinge 2 a 5 metros possui folhas recortadas, flores brancas a esverdeadas e frutos alaranjados aromáticos, o ano inteiro. Nas suas folhas e caule, segrega uma substância esbranquiçada. Em diferentes locais, designa-se "papaia" aos frutos redondos e "mamão" aos frutos alongados.

      No século XVI chegou ao Brasil, existindo referências que os espanhóis levaram-na para o Oriente via Pacífico, introduzindo-na nas Filipinas, e mais tarde atinge à Índia. Pela mão dos portugueses chega à África, sendo rapidamente difundida pelo mundo. A sua capacidade anual de frutificação nas regiões tropicais leva, a que seja uma presença assídua nas mesas de todas as classes sociais. 

     Na ilha da Madeira é usada para fins alimentares e medicinais, sendo que o chá das folhas facilita a digestão, tal como a ingestão do fruto.

Sabias que?

    Para a carne de caça ficar mais tenra deverá ser envolta em folhas frescas, presas por um cordel pois a mesma possui um látex, que ajuda a "atenrar" a mesma.

sábado, 7 de novembro de 2020

Aipo

 O aipo faz parte da família Apiaceae, a espécie Apium graveolens é originária da região Mediterrânica.  O nome significa: Apium - "cresce dentro água" e Gravis+olens - "tem forte odor"; conhecido por celeri na Lombardia ou sédeno na Toscana. Em inglês, distingue-se o caule como celery e bolbocomo celeric

Os historiadores apontam a Odisseia de Homero, como a primeira referência ao aipo, refere "selinon" sob a influencia da Lua. O mesmo autor, refere a planta como afrodisíaca. Outros autores gregos, referem o seu uso em funerais, a preencher as coroas de flores, e nos jogos pré-helénicos era usado para aromatizar o vinho dos atletas. Plínio, autor clássico romano (I séc. d.C.) menciona que os atletas vencedores dos jogos Nemeus (séc. VI a.C.)  recebiam uma coroa de folhas de aipo selvagem. A cidade mais ao ocidente da Antiga Grécia fundada em meados do século VII a.C., teve o seu nome Selinunte proveniente da palavra selinon (aipo selvagem).

Sabias Que?

Gregos e romanos, consideravam a planta: "um estimulante erótico e de virilidade".  Durante a Idade Média, o seu uso era mais ornamental, do que gastronómico. Além do forte aroma, o sabor dos talos era amargo; sendo que apenas no século XVI foi aperfeiçoada a espécie e eliminaram o sabor amargo. Atualmente, existem duas espécies de aipo, o convencional (var. dulce) e o aipo-nabo (var. rapaceum).